Cosmos da Filosofia
Bancada de carpinteiro de madeira envelhecida com formão e serrote pousados sobre aparas de madeira, sob a luz quente de um lampião

Carlo Collodi (pseudônimo de Carlo Lorenzini) · 1881–1883

As Aventuras de Pinóquio

Um boneco de madeira precisa aprender a dizer a verdade e a agir direito para deixar de ser boneco.

VirtudeLiberdade

Sobre a obra

“Le avventure di Pinocchio” foi publicado em folhetim no Giornale per i bambini a partir de 7 de julho de 1881, com continuação até janeiro de 1883, e depois reunido em livro em fevereiro de 1883, na Itália, por Carlo Collodi, pseudônimo de Carlo Lorenzini.

A versão em folhetim terminava de modo bem mais sombrio, com o boneco enforcado por seus próprios erros, mas o autor decidiu estender a história a pedido dos leitores, dando-lhe um desfecho de redenção no qual Pinóquio, depois de muitas provações, finalmente se torna um menino de verdade.

Estudiosos destacam o nariz que cresce a cada mentira, a transformação do boneco em humano por meio do crescimento moral e da educação, o Grilo Falante como figura de consciência, e a valorização da obediência, do trabalho e do estudo. O filósofo Benedetto Croce considerou a obra uma das maiores da literatura italiana; já foi traduzida para cerca de 260 línguas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sócrates e a voz que só adverte

Sócrates dizia ouvir um daimônion, uma voz interior que nunca lhe dizia o que fazer, só o impedia de agir errado. O Grilo Falante ocupa lugar parecido: não comanda Pinóquio, apenas o avisa antes de cada erro. A diferença é o desfecho: Pinóquio começa matando o grilo, como quem cala a própria consciência, e só voltará a ouvi-la mais tarde, depois de sofrer as consequências de tê-la ignorado.