Cosmos da Filosofia
Dois copos de água idênticos lado a lado num parapeito ao entardecer, um banhado por luz quente de dentro de casa e o outro por luz azulada do crepúsculo

Cecilia Bleasdale (foto) e Caitlin McNeill (Tumblr) · 2015

O vestido azul e preto ou branco e dourado

Uma foto de vestido dividiu a internet entre quem via azul e preto e quem via branco e dourado.

VerdadeConhecimento

Sobre a obra

Em fevereiro de 2015, Cecilia Bleasdale fotografou um vestido azul-royal com renda preta, da marca Roman Originals, à venda no Cheshire Oaks Designer Outlet, perto de Chester, na Inglaterra, para mostrar à filha, Grace Johnston, que se casaria em breve. Grace via o vestido branco e dourado; a mãe via azul e preto.

A amiga do casal Caitlin McNeill publicou a foto em seu blog no Tumblr em 26 de fevereiro de 2015, pedindo ajuda para resolver a discordância. A editora Cates Holderness levou a imagem ao BuzzFeed em forma de enquete; em 24 horas a publicação gerou 4,4 milhões de menções no Twitter e o site chegou a 673 mil visitantes simultâneos.

Cientistas se debruçaram sobre o fenômeno. O neurocientista Bevil Conway propôs que o cérebro tenta descontar o viés azulado ou dourado da luz ambiente ao interpretar as cores da foto. Um estudo na revista Current Biology, com 1.400 respondentes, encontrou 57% vendo azul e preto e 30% vendo branco e dourado, com mulheres e pessoas mais velhas mais propensas a ver branco e dourado.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e as cores que fazemos

Para Kant, nunca temos acesso às coisas como são em si mesmas, apenas como aparecem depois de passar pelas formas da nossa sensibilidade. A cor é um caso extremo disso: a mesma luz refletida pelo tecido chega a olhos diferentes e vira azul para uns, branco para outros, porque o cérebro de cada um faz suposições distintas sobre a iluminação. O vestido tornou visível, de um jeito banal e viral, algo que Kant já dizia sobre toda experiência: o mundo que vemos é sempre, em parte, um mundo construído por nós.