Cosmos da Filosofia
Uma roda de bicicleta solitária encostada numa parede de concreto rachada, pneu murcho, poeira e luz fraca, sem ninguém presente

Lance Armstrong · 1999–2013

O caso Lance Armstrong (doping)

Sete vitórias seguidas no Tour de France desabaram quando a Usada revelou o esquema de doping por trás delas.

MoralVerdadeVirtude

Sobre a obra

Entre 1999 e 2005, o ciclista norte-americano Lance Armstrong venceu o Tour de France sete vezes seguidas, um feito sem precedentes na competição. As suspeitas de doping o acompanharam desde a primeira vitória, mas ele negou sistematicamente por mais de uma década, chegando a se apresentar como “o atleta mais testado do mundo”.

Em junho de 2012, a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada) formalizou acusações contra ele, com base em amostras de sangue de 2009 e 2010 e depoimentos de ex-companheiros de equipe. A agência descreveu o esquema como “o programa de doping mais sofisticado, profissionalizado e bem-sucedido que o esporte já viu”, envolvendo EPO, testosterona, hormônio do crescimento, cortisona e transfusões de sangue.

Em outubro de 2012, Armstrong recebeu banimento vitalício do esporte e perdeu todos os títulos conquistados desde agosto de 1998. Em janeiro de 2013, admitiu o doping numa entrevista a Oprah Winfrey, embora tenha afirmado, de forma contestada, ter parado em 2005. Perdeu patrocínios avaliados em dezenas de milhões de dólares e, em 2018, pagou US$ 5 milhões ao governo americano num acordo civil.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Sartre e a má-fé

Sartre chamava de má-fé o esforço de mentir para si mesmo, construindo uma história em que a própria liberdade e a própria responsabilidade desaparecem por trás de um papel bem ensaiado. Por anos, Armstrong cultivou publicamente a imagem do atleta que vencera o câncer e o ciclismo com pureza absoluta, processando quem ousasse duvidar disso. Mais do que enganar jornalistas e adversários, ele parecia instalado dentro da própria narrativa heroica, tratando-a quase como fato consumado. A má-fé, nesse sentido, não é só mentir aos outros: é o hábito de deixar de ver a própria mentira como mentira.