
Filosofia Romana
Sêneca
Conselheiro de Nero e escritor, transformou o estoicismo em cartas sobre como usar o tempo e enfrentar a morte.
Vida e obra
Sêneca viveu no centro do poder romano, ao lado de um dos imperadores mais temidos da história, e escreveu algumas das páginas mais serenas da filosofia sobre o tempo, a raiva, a riqueza e a morte. Foi senador, escritor de tragédias, homem riquíssimo e estoico convicto. Essa combinação improvável faz dele um dos filósofos mais admirados — e mais criticados — da Antiguidade.
A vida
Uma família de Córdoba
Lúcio Aneu Sêneca nasceu em Córdoba, na província romana da Hispânia, em data incerta: as estimativas vão de 8 a 1 a.C., e muitos estudiosos propõem por volta de 4 a.C. Chama-se Sêneca, o Jovem, para distingui-lo do pai, Sêneca, o Velho, um cavaleiro rico e estudioso da retórica. A mãe chamava-se Hélvia.
Teve dois irmãos: Novato, que ao ser adotado passou a se chamar Galião, e Mela, pai do poeta Lucano, autor da Farsália.
Formação em Roma
Ainda criança, foi levado a Roma para ser preparado para a carreira pública, com a educação típica da elite: grego, latim, retórica e literatura. Na filosofia, teve mestres como o estoico Átalo e Papírio Fabiano, ligado à escola dos Séxtios, que combinava ideias estoicas e pitagóricas. Sofreu com problemas de saúde por boa parte da vida.
Orador e senador
Sêneca fez carreira como orador e escritor e entrou para o Senado. Sua ascensão, porém, foi lenta — aos 45 anos ainda não tinha alcançado os cargos mais altos —, e os historiadores discutem os motivos.
O exílio na Córsega
Em 41 d.C., logo no início do reinado de Cláudio, foi acusado de adultério com Júlia Livila, irmã do imperador anterior, Calígula, e exilado na Córsega. Ficou lá cerca de oito anos. Desse período vêm duas de suas consolações: à mãe, Hélvia, para confortá-la pela separação, e a Políbio, um poderoso liberto de Cláudio — escrita, em parte, na esperança de conseguir o perdão.
O tutor de Nero
Em 49 d.C., Agripina, nova esposa de Cláudio, conseguiu o retorno de Sêneca e o nomeou tutor de seu filho de doze anos, Nero. Quando Nero se tornou imperador, em 54, Sêneca passou a ser, com o prefeito do pretório Burro, seu principal conselheiro e redator de discursos.
Os primeiros anos do reinado foram lembrados como um período de bom governo, e a influência de Sêneca e Burro costuma ser apontada como uma das razões. Em 55 ou 56, Sêneca dedicou a Nero o tratado Sobre a clemência, que apresentava o ideal de um soberano poderoso e misericordioso.
A riqueza e a hipocrisia
Nesses anos, Sêneca tornou-se um dos homens mais ricos do Império. Os adversários o acusavam de hipocrisia: como podia elogiar a pobreza e a simplicidade vivendo cercado de luxo? A pergunta atravessa sua obra, e ele próprio a enfrenta em Sobre a vida feliz: o sábio pode possuir riquezas, desde que elas não o possuam.
O afastamento
O governo de Nero degenerou. Em 59, o imperador mandou matar a própria mãe, Agripina — e Sêneca, de algum modo, ficou comprometido com a justificação do crime. Em 62, tentou se retirar da vida pública e chegou a oferecer sua fortuna ao imperador. Passou a viver afastado, dedicado ao estudo e à escrita. Foi nesses últimos anos que escreveu as Cartas a Lucílio.
A morte
Em 65, foi descoberta a conspiração de Pisão para assassinar Nero. Sêneca foi acusado de envolvimento — o grau de sua participação é incerto — e recebeu a ordem de se matar.
Principais ideias
O que Sêneca pensou
Obras
O que escreveu
16 obras na biblioteca.
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