
Século XIX
Nietzsche
Diagnosticou o niilismo da cultura europeia e propôs uma transvaloração de todos os valores.
Vida e obra
Friedrich Nietzsche é um dos filósofos mais lidos, citados e mal compreendidos da história. Anunciou que Deus está morto, atacou a moral cristã, desconfiou da verdade, escreveu em aforismos e poemas e imaginou um ser humano capaz de criar novos valores. Viveu quase sempre doente, sozinho e sem leitores — e, depois de sua morte, foi transformado em profeta por movimentos que ele próprio desprezava. Ler Nietzsche com atenção é também desfazer muitos mitos sobre ele.
A vida
O filho do pastor
Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, em Röcken, uma aldeia perto de Leipzig, na Prússia. Seu pai, Carl Ludwig, era pastor luterano e morreu em 1849, quando Friedrich tinha quatro anos. O menino cresceu em uma casa só de mulheres: a mãe, a avó, duas tias e a irmã mais nova, Elisabeth, que teria um papel decisivo — e desastroso — no destino de sua obra.
Estudou na Escola de Pforta, um dos internatos mais rigorosos da Alemanha, onde recebeu uma sólida formação clássica. Aluno brilhante, seguiu para as universidades de Bonn e Leipzig, onde estudou filologia clássica — o estudo dos textos gregos e latinos — com Friedrich Ritschl.
A descoberta de Schopenhauer
Em 1865, em Leipzig, Nietzsche encontrou por acaso em um sebo O mundo como vontade e representação, de Schopenhauer. A leitura o arrebatou. Pouco depois, conheceu também a obra de Friedrich Albert Lange sobre o materialismo. A filologia continuava sendo sua profissão, mas a filosofia já era sua paixão.
Professor aos 24 anos
Em 1869, com apenas 24 anos e sem ter concluído o doutorado, foi nomeado professor de filologia clássica na Universidade da Basileia, na Suíça, graças a uma recomendação entusiasmada de Ritschl, que o considerava capaz de fazer qualquer coisa a que se dedicasse. Para assumir o cargo, abriu mão da cidadania prussiana, e viveu o resto da vida sem nacionalidade. Durante a Guerra Franco-Prussiana, em 1870, serviu como enfermeiro voluntário e adoeceu gravemente.
Wagner
Na Basileia, tornou-se amigo íntimo do compositor Richard Wagner e de sua companheira, Cosima, e visitava-os com frequência em Tribschen, perto de Lucerna. Wagner era, para o jovem Nietzsche, a encarnação do gênio capaz de renovar a cultura alemã, e ambos compartilhavam a admiração por Schopenhauer.
O Nascimento da Tragédia
Em 1872, Nietzsche publicou seu primeiro livro, O nascimento da tragédia. Em vez de um estudo filológico, era uma interpretação ousada da cultura grega e uma defesa da música de Wagner. O filólogo Wilamowitz-Moellendorff o ridicularizou publicamente, e a reputação acadêmica de Nietzsche nunca se recuperou.
Entre 1873 e 1876, publicou as quatro Considerações extemporâneas, sobre o escritor David Strauss, sobre as vantagens e desvantagens da história para a vida, sobre Schopenhauer como educador e sobre Wagner em Bayreuth.
A ruptura
A inauguração do festival de Bayreuth, em 1876, decepcionou Nietzsche: o que ele imaginara como renascimento da cultura parecia um espetáculo nacionalista e mundano. A amizade com Wagner esfriou e terminou por volta de 1877–1878. Pesaram também o nacionalismo, o cristianismo tardio e o antissemitismo de Wagner. Humano, demasiado humano (1878), com seu estilo aforístico e seu espírito crítico, marcou a libertação.
A doença e o andarilho
Nietzsche sofria de dores de cabeça violentas, náuseas e problemas graves de visão. Em 1879, aos 34 anos, abandonou a cátedra por motivos de saúde e passou a viver de uma pequena pensão. Pesquisas recentes sugerem que seus sintomas podem ter sido causados por um tumor cerebral de crescimento lento, mas a questão continua em aberto.
Começaram então dez anos de vida errante, em busca de um clima que aliviasse a doença: invernos no Mediterrâneo — Gênova, Nice, Turim — e verões em Sils Maria, nos Alpes suíços. Vivia em pensões modestas, escrevendo sem parar. Foi o período de suas grandes obras:
- Aurora (1881);
- A gaia ciência (1882; ampliada com um quinto livro em 1887);
- Assim falou Zaratustra (1883–1885);
- Além do bem e do mal (1886);
- Genealogia da moral (1887).
Lou Salomé
Em 1882, Nietzsche conheceu a jovem e brilhante Lou Salomé, por intermédio do amigo filósofo Paul Rée. Os três planejaram viver juntos uma espécie de comunidade intelectual. Nietzsche pediu Lou em casamento e foi recusado. A amizade se desfez em meio a intrigas, em parte alimentadas por Elisabeth, e Nietzsche mergulhou em profunda solidão.
Principais ideias
O que Nietzsche pensou
Obras
O que escreveu
14 obras na biblioteca.
Influências
De onde veio, para onde foi
Influenciado por
- Schopenhauer
Leu O Mundo como Vontade e Representação aos 21 anos; depois rompeu com o pessimismo, mas não com a vontade.
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