
Século XIX
Schopenhauer
Viu no fundo do mundo uma vontade cega, e na vida um sofrimento com poucas saídas: a arte, a compaixão, a renúncia.
Vida e obra
Arthur Schopenhauer foi o grande filósofo do pessimismo. Numa época em que os filósofos alemães viam a história como o avanço da razão, ele sustentou que, no fundo do mundo, não há razão nenhuma, mas uma força cega e insaciável — e que viver é, essencialmente, sofrer. Ignorado por quase toda a vida, tornou-se famoso na velhice e influenciou profundamente escritores, músicos e pensadores como Nietzsche, Wagner, Freud, Tolstói e Machado de Assis.
A vida
Um filho de comerciantes
Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788, em Danzig — hoje Gdańsk, na Polônia. O pai, Heinrich Floris Schopenhauer, era um próspero comerciante e armador; teria escolhido o nome Arthur porque se escreve igual em alemão, francês e inglês, pensando no futuro comercial do filho. A mãe, Johanna, se tornaria uma romancista de sucesso.
Em 1793, quando Danzig foi anexada pela Prússia, a família mudou-se para Hamburgo. O jovem Arthur viajou muito pela Europa: viveu na França dos nove aos onze anos — período que considerou dos mais felizes de sua vida — e passou uma temporada em um internato na Inglaterra, do qual guardou péssimas lembranças. Aprendeu francês e inglês com fluência.
A morte do pai
Em 20 de abril de 1805, quando Arthur tinha dezessete anos, o pai morreu em Hamburgo, possivelmente por suicídio. Por respeito à sua vontade, Arthur continuou por algum tempo como aprendiz de comércio, mas aos dezenove anos abandonou a carreira para se dedicar aos estudos.
A mãe mudou-se para Weimar, onde abriu um salão frequentado por intelectuais, entre eles Goethe, e escreveu mais de vinte volumes de romances e biografias. A relação entre mãe e filho foi tempestuosa, e acabou em um rompimento definitivo.
A universidade
Schopenhauer estudou primeiro em Göttingen (1809–1811), inicialmente medicina. Ali, o filósofo Gottlob Ernst Schulze aconselhou-o a ler sobretudo Platão e Kant — os dois pilares de seu pensamento. Depois, em Berlim (1811–1813), assistiu às aulas de Fichte e Schleiermacher, além de cursos de física, astronomia, zoologia, fisiologia e muitas outras áreas.
A tese de doutorado
Em 1813, aos 25 anos, concluiu sua tese, Sobre a quádrupla raiz do princípio de razão suficiente, aprovada pela Universidade de Jena. Já ali, tratava os grandes nomes do idealismo alemão — Fichte, Schelling e Hegel — como charlatães, uma hostilidade que nunca abandonou.
Em Weimar, conviveu com Goethe, com quem discutiu a teoria das cores. Publicou Sobre a visão e as cores em 1816.
O encontro com a Índia
No fim de 1813, no salão da mãe, o orientalista Friedrich Majer apresentou-lhe o pensamento indiano. Schopenhauer começou a ler a Bhagavad Gita e, em 1814, os Upanixades, em uma tradução latina de Anquetil-Duperron. Mais tarde, estudou também o budismo. Poucos filósofos europeus de seu tempo levaram tão a sério o pensamento asiático.
A obra principal
Em Dresden, entre 1814 e 1818, escreveu sua grande obra: O mundo como vontade e representação, publicada no fim de 1818, com data de 1819. Tinha trinta anos. O livro passou praticamente despercebido.
O fracasso em Berlim
Em 1820, Schopenhauer conseguiu permissão para lecionar na Universidade de Berlim, onde Hegel era a grande estrela. Por orgulho, marcou suas aulas no mesmo horário das de Hegel. Quase ninguém apareceu. Foi uma humilhação que ele jamais esqueceu.
Em 1821, envolveu-se em uma briga violenta com uma vizinha, a costureira Caroline Marquet, que o processou. Ele perdeu a causa depois de anos e teve de lhe pagar uma pensão.
Frankfurt
Em 1831, fugindo de uma epidemia de cólera que atingiu Berlim, deixou a cidade. Em 1833, instalou-se em Frankfurt, onde viveu os 27 anos restantes. Levava uma vida rigorosamente regrada: estudo pela manhã, flauta, almoço em um hotel elegante, longas caminhadas, leitura do jornal The Times, concertos à noite e a leitura dos Upanixades antes de dormir. Viveu sozinho, acompanhado de uma sucessão de poodles.
Obras
O que escreveu
11 obras na biblioteca.
Influências
De onde veio, para onde foi
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