
Ideia
Felicidade
Definição
O fim que todos buscam, segundo Aristóteles — mas cada escola o define de outro modo: prazer, virtude, tranquilidade, ausência de dor.
Todos querem ser felizes — mas o que é isso?
Quase ninguém discorda de que a felicidade é desejável. A discordância começa quando perguntamos em que ela consiste. Sentir-se bem? Ter uma vida realizada? Obter o que se deseja? Ser uma boa pessoa? Não sofrer? Cada resposta dá origem a uma forma diferente de viver.
Dois sentidos da palavra
A primeira coisa a esclarecer é que "felicidade" é usada em dois sentidos bem distintos:
- Sentido psicológico. Felicidade como estado mental: sentir prazer, estar satisfeito com a vida, ter um bom estado emocional. É o sentido de "ela parece feliz hoje".
- Sentido de bem-estar. Felicidade como uma vida que vai bem para a pessoa, que é boa para ela. É o sentido em que os gregos falavam de eudaimonia, ou florescimento.
As duas coisas podem se separar. Alguém pode sentir-se contente enquanto sua vida vai mal — por ignorância, ilusão ou acomodação —, e alguém pode ter uma vida plena e significativa atravessando períodos de tristeza.
A felicidade na Antiguidade
Aristóteles: o fim de todos os fins
Aristóteles observou que tudo o que fazemos visa algum bem, e que deve haver um bem desejado por si mesmo, e não em vista de outro. Esse bem é a felicidade — e todos concordam com isso. A disputa está em saber o que ela é.
Sua resposta: a felicidade é a atividade da alma de acordo com a virtude, ao longo de uma vida completa. Não é um estado passivo: uma pessoa que passasse a vida inteira satisfeita e inerte no sofá não seria feliz no sentido de Aristóteles. E ela exige alguma sorte — amigos, recursos, boas condições —, porque sem isso a própria atividade virtuosa fica comprometida. Veja a página sobre a eudaimonia.
Os estoicos: a virtude basta
Para os estoicos, a felicidade consiste em viver de acordo com a natureza e com a razão, e a virtude é suficiente para isso. Saúde, riqueza e reputação são indiferentes. O sábio pode ser feliz na prisão ou na doença, porque o único bem verdadeiro — a virtude — não pode lhe ser tirado.
Os epicuristas: o prazer estável
Para Epicuro, a felicidade é o prazer — mas entendido como ausência de dor no corpo e de perturbação na alma. Isso se alcança com uma vida simples, amizades verdadeiras, o exame dos desejos e a libertação dos medos da morte e dos deuses. Veja a página sobre a ataraxia.
Os céticos: a calma de não afirmar
Para os céticos, a tranquilidade surge quando se deixa de afirmar como as coisas são por natureza — inclusive que isto ou aquilo é, em si, um bem ou um mal.
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