Cosmos da Filosofia
Mesa de jardim mediterrâneo posta para uma refeição compartilhada, na hora dourada

Ideia

Eudaimonia

Definição

Termo grego geralmente traduzido como felicidade ou florescimento. Para Aristóteles, uma vida inteira de atividade conforme a virtude — não um estado, mas uma prática.

Uma palavra difícil de traduzir

Eudaimonia é composta de eu ("bem") e daímon ("divindade", "espírito"). Literalmente, significa algo como ser bem favorecido por um deus. Na prática, os gregos a usavam para falar de uma vida que vai bem — e Aristóteles a trata como sinônimo de viver bem.

Costuma-se traduzi-la por felicidade, mas a tradução engana. Hoje, "felicidade" sugere um estado emocional: sentir-se contente, satisfeito, alegre. A eudaimonia não é um sentimento, mas uma avaliação da vida inteira: é a vida bem-sucedida, realizada, plena. Por isso muitos preferem traduzir por florescimento — como uma planta que se desenvolve plenamente segundo sua natureza.

A diferença fica clara em um exemplo. Alguém que passa a vida inteira sentado no sofá, satisfeito e sem nenhuma ambição, pode sentir-se feliz. Para Aristóteles, essa pessoa não floresceu.

O bem supremo

Aristóteles abre a Ética a Nicômaco observando que toda ação visa algum bem. Estudamos para conseguir um emprego, trabalhamos para ganhar dinheiro, ganhamos dinheiro para comprar coisas. Mas a cadeia não pode seguir ao infinito, ou todo desejo seria vazio. Deve haver algo que buscamos por si mesmo, e não em vista de outra coisa.

Esse bem é a eudaimonia. Todos concordam que ela é o fim da vida humana; a discordância está em saber em que ela consiste — prazer, honra, riqueza?

O argumento da função

Para responder, Aristóteles propõe o argumento da função (érgon). O bem de um flautista está em tocar bem a flauta; o de um escultor, em esculpir bem. Se o ser humano tem uma função própria, seu bem estará em cumpri-la bem.

Qual é essa função? Não é simplesmente viver, que compartilhamos com as plantas, nem sentir, que compartilhamos com os animais. O que é próprio do ser humano é a razão. Logo, o bem humano é a atividade da parte racional da alma de acordo com a virtude — e, acrescenta Aristóteles, ao longo de uma vida completa. Uma andorinha não faz verão, nem um só dia feliz faz alguém feliz.

Três detalhes dessa definição são decisivos:

  • Atividade, não estado. Não basta ter as virtudes, como quem tem um talento que nunca usa: é preciso exercê-las.
  • Segundo a virtude. Não é qualquer atividade racional, mas a atividade excelente.
  • Vida completa. A eudaimonia só pode ser avaliada no conjunto de uma vida.