
Filosofia Grega
Platão
Discípulo de Sócrates, fundou a Academia e escreveu os diálogos que inauguram a filosofia como gênero.
Vida e obra
Poucos pensadores podem dizer que inventaram a própria disciplina em que trabalharam. Platão é um deles. A filosofia, tal como a entendemos — uma investigação racional, rigorosa e escrita sobre a realidade, o conhecimento, a alma, a justiça e a vida boa —, ganhou forma em seus diálogos. Só Aristóteles, Tomás de Aquino e Kant costumam ser colocados no mesmo patamar.
A vida
Uma família da elite ateniense
Platão nasceu em Atenas, por volta de 428 ou 427 a.C., em uma das famílias mais ricas e politicamente ativas da cidade. Seu pai chamava-se Aríston; sua mãe, Perictione. Teve dois irmãos mais velhos, Gláucon e Adimanto — que aparecem como personagens da República —, e uma irmã, Potone. Depois da morte do pai, a mãe casou-se com Pirilampo, próximo de Péricles.
Dois parentes seus teriam papel sombrio na história da cidade: Crítias, primo de sua mãe, e Cármides, seu tio, estiveram entre os líderes dos Trinta Tiranos, a oligarquia que governou Atenas pelo terror em 404 a.C.
Segundo uma tradição antiga, seu nome verdadeiro seria Arístocles, e "Platão" seria um apelido ligado à palavra grega para "largo" — talvez pelos ombros, talvez pela testa, talvez pelo estilo. A história não é segura.
Sócrates
Na juventude, Platão tornou-se companheiro de Sócrates. Um jovem de sua origem estava destinado à política, mas os acontecimentos o afastaram dela: primeiro, a violência dos Trinta, entre os quais estavam seus parentes; depois, em 399 a.C., a condenação à morte de Sócrates pela democracia restaurada. Platão tinha cerca de 28 anos.
A Carta VII, atribuída a ele, narra essa desilusão com a política de seu tempo. Mas a autenticidade das cartas de Platão é muito discutida, e a maioria delas quase certamente não é dele.
As viagens
Depois da morte de Sócrates, Platão deixou Atenas. Esteve em Mégara e, segundo diferentes relatos antigos, talvez em Cirene, no Egito e no sul da Itália, onde conviveu com pitagóricos — entre eles Arquitas de Tarento, matemático e estadista, que se tornou seu amigo.
Por volta dos quarenta anos, foi à Sicília, onde conheceu Díon, cunhado do tirano Dionísio I de Siracusa, que se tornou seu discípulo e amigo. Uma história tardia afirma que Dionísio, irritado com o filósofo, mandou vendê-lo como escravo, e que ele foi resgatado; o relato é duvidoso.
A Academia
De volta a Atenas, por volta de 387 a.C., Platão fundou uma escola em um bosque consagrado ao herói Academo, a cerca de um quilômetro e meio da cidade. Daí vem a palavra Academia. Não era uma universidade no sentido moderno, mas uma comunidade de estudo e discussão, onde se praticavam a matemática, a dialética e a investigação filosófica.
A Academia foi o centro da vida de Platão até a morte e sobreviveu a ele por séculos. Seu aluno mais famoso, Aristóteles, estudou lá por cerca de vinte anos.
O filósofo e o tirano
Platão voltou duas vezes a Siracusa, na esperança de influenciar a política real:
- Com a morte de Dionísio I, Díon convenceu Platão a ir educar o jovem sucessor, Dionísio II. A experiência fracassou: Díon foi exilado e Platão ficou praticamente em prisão domiciliar até conseguir voltar.
- Por volta de 361 a.C., Platão fez uma terceira viagem. De novo foi retido pelo tirano, e só escapou graças a amigos de Tarento. Anos depois, Díon invadiu a Sicília e tomou o poder, mas acabou assassinado.
A tentativa de unir filosofia e poder — a mesma ideia do rei-filósofo da República — terminou em desastre.
Os últimos anos
Platão passou os últimos treze anos na Academia, escrevendo e ensinando. Morreu por volta de 348 ou 347 a.C., com cerca de oitenta anos, e foi sepultado na escola que fundara. Deixou inacabada sua obra mais longa, As Leis.
Influências
De onde veio, para onde foi
Influenciado por
- Sócrates
Mestre e personagem central de quase todos os seus diálogos.
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