Cosmos da Filosofia
Uma pedra rachada e desgastada sob luz lateral dura

Ideia

Sofrimento

Definição

Dor física ou moral. Para Schopenhauer, a condição básica da vida; para os estoicos, algo que depende do juízo que fazemos sobre o que nos acontece.

Dor e sofrimento

A dor é uma sensação: a queimadura, o dente inflamado, a cabeça latejando. O sofrimento é mais amplo. Inclui a dor física, mas também a angústia, o luto, a humilhação, a frustração, o medo, o tédio, a sensação de que a vida não faz sentido. Pode haver dor sem grande sofrimento — como no esforço de um atleta — e sofrimento intenso sem nenhuma dor física.

Diante do sofrimento, a filosofia fez perguntas de vários tipos: por que sofremos? O sofrimento pode ser eliminado ou apenas suportado? Ele tem algum sentido? E, se existe um Deus bom e todo-poderoso, por que ele permite o sofrimento?

O Buda: a verdade do sofrimento

O ensinamento

Poucas tradições colocaram o sofrimento tão no centro quanto o budismo. As datas do Buda histórico são incertas: a tradição teravada as situa entre 623 e 543 a.C.; estudiosos ocidentais propuseram por muito tempo cerca de 560–480 a.C.; pesquisas mais recentes tendem a situar sua vida por volta do século V a.C.

Seu ensinamento se resume nas Quatro Nobres Verdades:

  1. Há sofrimento (dukkha): o nascimento, o envelhecimento, a doença e a morte; estar unido ao que desagrada e separado do que agrada; não obter o que se quer.
  2. O sofrimento tem uma origem: o tanhā, a sede ou o apego — o desejo intenso e obsessivo pelos prazeres, pela existência e até pela não existência. Por baixo de tudo está a ignorância espiritual.
  3. O sofrimento pode cessar: a extinção do apego e da ignorância é o nirvana, palavra que significa "apagar", como se apaga uma chama.
  4. Há um caminho para essa cessação: o Nobre Caminho Óctuplo, que envolve sabedoria, conduta ética e disciplina mental.

A palavra dukkha é mais ampla que "sofrimento": além da dor física e mental, designa a frustração e a inquietação que nascem da impermanência de tudo.

O caminho do meio e o não-eu

O Buda rejeitou tanto a entrega aos prazeres quanto o ascetismo extremo, propondo um caminho do meio. E ensinou que todos os componentes do que chamamos de "eu" são impermanentes e dependentes de outras coisas: não há um eu permanente e independente ao qual se agarrar. O apego a esse eu ilusório seria uma das raízes do sofrimento.

Os gregos: o sofrimento como problema da alma

Epicuro: reduzir a dor e a perturbação

Para Epicuro, o bem é o prazer entendido como ausência de dor no corpo e de perturbação na alma. Grande parte do sofrimento humano viria de medos infundados — dos deuses e da morte — e de desejos vazios, como riqueza e fama, que nunca se satisfazem. Examinar esses medos e desejos seria a terapia da alma. Veja a página sobre a ataraxia.