Cosmos da Filosofia
Uma máscara antiga de madeira, entalhada mas gasta pelo tempo, deitada de bruços no parapeito de pedra de um corredor de castelo pouco iluminado, com luar entrando por uma janela alta

Gabrielle-Suzanne de Villeneuve e Jeanne-Marie Leprince de Beaumont · 1740 (Villeneuve) e 1756 (Beaumont)

A Bela e a Fera

Uma jovem se muda para o castelo de uma fera para salvar o pai e aprende a olhar além da aparência.

VirtudeConhecimento

Sobre a obra

A versão literária mais antiga é de Gabrielle-Suzanne de Villeneuve, publicada anonimamente em 1740, em Paris, dentro de La Jeune Américaine et les contes marins. Era um conto de salão longo e cheio de histórias paralelas, escrito para leitores adultos.

Em 1756, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont publicou, no Magasin des enfants, uma versão bem mais curta, com poucos personagens e uma estrutura quase arquetípica, eliminando todo o terceiro ato mais complexo de Villeneuve. Essa é a versão que se popularizou e chegou até hoje.

A história bebe de fontes antigas, sobretudo de Cupido e Psiquê, de Apuleio, e de contos italianos como O rei porco, de Straparola. Estudiosos também associam a Fera à figura histórica de Petrus Gonsalvus, e leem o conto como preparação de jovens para casamentos arranjados, além de uma reflexão sobre julgar além da aparência.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Platão e a alma sob a aparência

No Banquete, Platão descreve um amor que começa nos corpos belos, mas que, para ser verdadeiro, precisa avançar até a beleza da alma, mais estável que qualquer forma física. A Bela começa temendo o aspecto monstruoso da Fera e só depois descobre nele delicadeza e bondade. O conto segue quase à risca esse percurso platônico: da aparência para o caráter, como se a beleza real estivesse sempre um degrau acima do que os olhos veem primeiro.