Cosmos da Filosofia
Um espelho de mão de prata envelhecida, virado para baixo sobre um tapete de folhas caídas num jardim silencioso, com orvalho da manhã sobre as folhas

Lewis Carroll (pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson) · 1865

Alice no País das Maravilhas

Uma menina cai por uma toca de coelho e vive uma sucessão de encontros sem lógica num mundo às avessas.

ConsciênciaVerdade

Sobre a obra

Lewis Carroll, pseudônimo do matemático britânico Charles Lutwidge Dodgson, publicou o livro em novembro de 1865, em Londres, pela editora Macmillan, com 42 ilustrações do desenhista John Tenniel, num formato que logo se tornaria um marco da literatura infantil vitoriana.

A história nasceu em 4 de julho de 1862, quando Carroll e o reverendo Robinson Duckworth remaram pelo rio Isis, perto de Oxford, com as três filhas de Henry Liddell: Lorina, de 13 anos, Alice, de 10, e Edith, de 8. Carroll improvisou ali o relato que chamou de “As Aventuras de Alice no Subterrâneo”, e Alice Liddell pediu que ele a escrevesse; só recebeu o manuscrito em novembro de 1864.

Estudiosos discutem no livro a presença da lógica e da matemática, vindas da formação de Carroll, o gênero do nonsense, com traços descritos como niilistas e existenciais, as trocas de tamanho de Alice como uma exploração da identidade, e uma crítica implícita à posição da criança na sociedade vitoriana de elite.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Descartes e a identidade posta em dúvida

Descartes duvidou de tudo o que podia até achar um ponto firme: penso, logo existo. Alice também é tomada pela dúvida sobre si mesma depois de cada transformação de tamanho, perguntando-se quem ela é. Mas o Reino das Maravilhas não lhe oferece nenhum ponto firme parecido: nem o nome, nem a memória, nem o corpo permanecem estáveis o bastante para sustentar uma certeza sobre si mesma, como se a dúvida cartesiana não encontrasse ali onde parar.