
Ideia
Consciência
Definição
O fato de haver experiência: pensar, perceber, sentir e saber que se pensa. Ponto de partida de Descartes e problema central da filosofia da mente.
O mais íntimo e o mais misterioso
Nada nos é mais próximo do que a consciência: o sabor do café, a dor de dente, o vermelho de um pôr do sol, a sensação de estar pensando agora nesta frase. E, ao mesmo tempo, poucas coisas são tão difíceis de explicar. Sabemos muito sobre o cérebro. Mas por que a atividade de neurônios vem acompanhada de experiência — por que existe algo que é sentir, e não apenas um processamento de informações no escuro?
Uma observação sobre a palavra: em português, "consciência" também designa a consciência moral, a voz interior que julga o certo e o errado. Aqui tratamos da consciência no sentido psicológico e filosófico — o fato de haver experiência. A dimensão moral aparece na página sobre a moral.
Uma breve história
Descartes
Para Descartes, por "pensamento" se entende tudo aquilo de que temos consciência operando em nós: duvidar, compreender, querer, imaginar, sentir. A consciência é o ponto de partida seguro de sua filosofia — posso duvidar de tudo, menos de que estou pensando.
Locke e Leibniz
John Locke considerava a consciência essencial ao pensamento e fez dela o critério da identidade pessoal: somos a mesma pessoa na medida em que a consciência se estende a ações e pensamentos passados.
Leibniz admitiu graus de consciência e pensamentos inconscientes — as pequenas percepções, que não notamos individualmente —, distinguindo percepção de apercepção, a percepção consciente de si. Formulou também o célebre argumento do moinho: se ampliássemos um cérebro até o tamanho de um moinho e entrássemos nele, veríamos apenas peças empurrando umas às outras, e nunca um pensamento ou uma sensação.
Kant
Kant argumentou que a experiência consciente não é uma simples sucessão de ideias associadas: exige uma estrutura mental rica, organizada pelo espaço, pelo tempo e pela causalidade.
O fluxo e o eclipse
Em 1890, William James descreveu a vida mental como um fluxo de consciência, contínuo e em mudança constante. Pouco depois, o behaviorismo — com John Watson e, mais tarde, B. F. Skinner — praticamente baniu a consciência da psicologia científica americana, por não ser observável. Na Europa, a psicologia da Gestalt manteve o interesse pela experiência.
O retorno
Nas últimas décadas do século XX, a consciência voltou ao centro. Obras de Daniel Dennett (1991), Francis Crick (1994) e David Chalmers (1996) reabriram o debate e deram origem a revistas e congressos especializados.
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