
Ideia
Existência
Definição
O fato de ser, em oposição ao que uma coisa é. Para os existencialistas, o ser humano existe antes de ter uma essência definida.
"O que é" e "que é"
Podemos fazer duas perguntas muito diferentes sobre qualquer coisa:
- O que é? Um unicórnio é um cavalo com um chifre na testa. Esta é a pergunta pela essência.
- É? Existem unicórnios? Esta é a pergunta pela existência.
Sabemos perfeitamente o que é um unicórnio, e sabemos que ele não existe. Essa diferença simples esconde alguns dos problemas mais antigos e mais difíceis da filosofia — e, no século XX, deu nome a um dos movimentos filosóficos mais influentes, o existencialismo.
Parte I — A existência como problema metafísico
Parmênides: o que não é não pode ser
A reflexão ocidental sobre o ser começa com Parmênides, que afirmou que o que é não pode não ser, e que do que não é nada se pode dizer nem pensar. A dificuldade que ele levantou nunca foi totalmente resolvida: como falar do que não existe sem, de algum modo, supor que existe?
Essência e existência: Avicena e Tomás de Aquino
Para Aristóteles, não havia uma distinção real entre a essência de uma coisa e sua existência.
Na Idade Média, a distinção ganhou força. Avicena identificou Deus como o ser necessário por si mesmo: o único ser cuja própria natureza é existir. Nas demais coisas, a existência não decorre da essência — elas poderiam não existir. Tomás de Aquino desenvolveu a mesma ideia: podemos entender o que é um ser humano ou uma fênix sem saber se existem. Logo, nas coisas criadas, existir é algo além do que elas são.
O argumento ontológico
Essa discussão tem uma consequência famosa. Anselmo de Cantuária propôs provar a existência de Deus apenas a partir de seu conceito: Deus é aquilo de que nada maior pode ser pensado; um ser assim que existisse só no pensamento seria menor do que um que existisse também na realidade; logo, Deus existe. É o argumento ontológico.
Kant: existir não é um predicado real
Kant atacou o argumento pela raiz. Dizer que algo existe não acrescenta nada ao conceito dessa coisa. Cem moedas reais não têm uma moeda a mais do que cem moedas imaginadas; o conceito é o mesmo. A existência, portanto, não é uma propriedade ou perfeição que se possa usar para deduzir que algo existe.
Antes de Kant, David Hume chegara a uma conclusão parecida por outro caminho: não temos nenhuma impressão de existência separada da impressão do próprio objeto. Pensar em algo e pensar nele como existente é a mesma coisa.
Frege e Russell: existir é ser instanciado
No fim do século XIX e início do XX, Gottlob Frege e Bertrand Russell deram à tese de Kant uma formulação lógica. A existência não é uma propriedade dos indivíduos, mas dos conceitos: dizer que "dinossauros não existem mais" é dizer que o conceito de dinossauro vivo não é instanciado por nada.
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