A versão mais conhecida é “Cendrillon”, de Charles Perrault, publicada em 1697 em Paris, na coletânea Histórias ou contos do tempo passado. Foi Perrault quem fixou elementos hoje icônicos: a abóbora transformada em carruagem, a fada-madrinha e os sapatinhos de vidro, além de uma moral sobre a boa graça como valor mais precioso que a beleza, e uma segunda moral sobre a sorte de ter um padrinho ou madrinha.
O tipo de história é muito mais antigo. A versão registrada mais remota é a grega Rodopis, contada pelo geógrafo Estrabão entre 7 a.C. e 23 d.C.: uma águia leva a sandália da moça a um rei egípcio, que procura pelo reino até achar sua dona. A chinesa Ye Xian, de cerca de 860 d.C., já tem um peixe mágico que ajuda a heroína a conseguir um sapato dourado para uma festa.
Os Irmãos Grimm publicaram sua versão, “Aschenputtel”, em 1812, bem mais sombria que a de Perrault: no lugar da fada-madrinha, uma árvore mágica nascida sobre o túmulo da mãe atende aos pedidos da moça. A edição de 1819 acrescentou um desfecho violento, em que pássaros cegam as irmãs más como castigo.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.