“Cultura do cancelamento” descreve o fenômeno de criticar publicamente uma pessoa por uma conduta considerada inaceitável e pedir seu boicote, demissão ou isolamento social, geralmente pelas redes sociais. A pesquisadora de mídia Eve Ng define o cancelamento como “a retirada de qualquer tipo de apoio (...) a quem se avalia ter dito ou feito algo inaceitável”.
A raiz do termo remonta a 1981, quando a banda Chic lançou uma canção que comparava uma rejeição amorosa ao cancelamento de um programa de TV; o roteirista Barry Michael Cooper reaproveitou a referência no filme New Jack City (1991), introduzindo a expressão no inglês afro-americano. A partir de 2015, o conceito ganhou força no chamado Black Twitter como uma decisão pessoal e informal de parar de apoiar alguém ou seu trabalho, às vezes de forma jocosa.
O termo se espalhou depois de casos de grande repercussão: as acusações contra o produtor Harvey Weinstein, em outubro de 2017, ajudaram a impulsionar cancelamentos de carreira e o próprio movimento #MeToo; em novembro do mesmo ano, o comediante Louis C.K. foi alvo de cancelamento após admitir má conduta, embora tenha retomado a carreira depois. No fim de 2019 e ao longo de 2020, o debate sobre “cultura do cancelamento” se intensificou, com um salto nas buscas pelo termo no Google.
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