Cosmos da Filosofia
Duas fotografias em preto e branco quase idênticas de um cômodo vazio, lado a lado sobre uma mesa, com uma pequena diferença sutil entre elas, sob a luz de um abajur

Fiona Broome · 2010

O efeito Mandela

Um nome para quando muita gente, sem se conhecer, compartilha a mesma lembrança errada.

VerdadeConhecimento

Sobre a obra

A autora e pesquisadora de fenômenos paranormais Fiona Broome cunhou a expressão “efeito Mandela” em 2010, depois de descobrir, numa conversa na convenção Dragon Con, em Atlanta, que outras pessoas compartilhavam sua lembrança de que o líder sul-africano Nelson Mandela havia morrido na prisão nos anos 1980 — com detalhes como cobertura de funeral e um discurso televisionado de sua viúva. Mandela, na realidade, saiu da prisão em 1990, foi presidente da África do Sul entre 1994 e 1999 e morreu em 2013.

No mesmo ano, Broome lançou o site MandelaEffect.com para reunir relatos de memórias coletivas falsas parecidas, como a grafia do desenho animado Berenstain Bears, lembrada por muitos como “Berenstein”. O termo passou a designar qualquer caso em que um grande número de pessoas, sem contato entre si, compartilha a mesma lembrança equivocada sobre um fato ou detalhe.

A partir de 2013, um fórum dedicado no Reddit e vídeos de youtubers como Shane Dawson ajudaram a espalhar o termo; BuzzFeed, Vice e outros veículos publicaram reportagens sobre o fenômeno ao longo da década. Psicólogos atribuem os casos a processos normais de memória reconstrutiva — confusão de fontes, reforço social de lembranças erradas e a tendência do cérebro a reter só o sentido geral de um fato — e não a evidências de realidades paralelas.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Descartes e a memória enganosa

Descartes desconfiava dos sentidos porque já o haviam enganado antes, e usava o argumento do sonho para mostrar que nem sempre é fácil distinguir uma lembrança vívida de uma ilusão convincente. O efeito Mandela leva essa dúvida além da percepção: mostra que a própria memória, mesmo sentida com total certeza e confirmada por outras pessoas, pode estar simplesmente errada. Se a dúvida metódica vale para os sentidos, vale também para as lembranças que tomamos por fatos só porque parecem nítidas.