Cosmos da Filosofia
Um ringue de boxe vazio sob uma única lâmpada suspensa, à noite, cordas paradas e nenhuma pessoa presente

Muhammad Ali · 1967

Muhammad Ali e a recusa ao alistamento (1967)

Recusou-se a servir no Exército por motivos religiosos e perdeu o título mundial de boxe.

LiberdadeMoralJustiça

Sobre a obra

Em 28 de abril de 1967, em Houston, Muhammad Ali recusou três vezes ser incorporado ao Exército dos Estados Unidos. Membro da Nação do Islã, alegou objeção de consciência por motivos religiosos, afirmando que a guerra contrariava os ensinamentos do Alcorão e que não participaria de um conflito não declarado por Alá ou por seu profeta.

No mesmo dia, a Comissão Atlética do Estado de Nova York suspendeu sua licença de boxe, e a Associação Mundial de Boxe o destituiu do título peso pesado; outras comissões estaduais seguiram o exemplo, e ele ficou mais de três anos sem poder lutar. Em 20 de junho de 1967, foi condenado em Houston à pena máxima: cinco anos de prisão e multa de dez mil dólares.

Em 28 de junho de 1971, a Suprema Corte dos Estados Unidos reverteu a condenação por unanimidade, no caso Clay v. United States, por motivos processuais. A frase segundo a qual nenhum vietcongue jamais o teria chamado por um insulto racial, muitas vezes atribuída a Ali dessa época, é considerada provavelmente apócrifa pelos historiadores.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Sócrates: obedecer antes a um deus

Na Apologia, Sócrates diz que, se a cidade lhe ordenasse abandonar a filosofia, obedeceria antes a um deus do que aos homens, mesmo sabendo que isso lhe custaria a vida. Ali fez uma declaração parecida ao recusar a convocação: como ministro da Nação do Islã, afirmou dever obediência primeiro a preceitos religiosos que via como superiores à ordem do Estado. Em ambos os casos, a autoridade política entra em conflito com uma lealdade que o indivíduo considera mais alta — e o preço de sustentá-la é pago em liberdade e reputação, não em argumentos.