Cosmos da Filosofia
Fileira de frascos de farmácia antigos com rótulos em branco sobre uma prateleira, ao lado de uma balança de latão, diante de uma parede desbotada

Machado de Assis · 1882

O Alienista

Em Itaguaí, um médico obstinado funda um hospício para estudar a loucura e começa a encontrá-la em toda parte.

ConhecimentoVerdadeVirtude

Sobre a obra

Narrativa satírica de Machado de Assis publicada em partes no periódico carioca A Estação, entre 15 de outubro de 1881 e 15 de março de 1882, e reunida em 1882 na coletânea Papéis Avulsos. Às vezes é tratada como conto, mas a maioria dos críticos a considera uma novela, por causa de sua estrutura narrativa.

A história se passa na vila de Itaguaí. O médico Simão Bacamarte funda a Casa Verde, um manicômio para estudar a loucura, e passa a internar cada vez mais moradores, muito além dos casos evidentes: chega a ter três quartos da população da vila internada. Uma rebelião liderada pelo barbeiro Porfírio, a Revolta dos Canjicas, toma o poder na vila, mas as internações continuam.

Obra humorística, O Alienista é descrito como uma caricatura da tirania da ciência no século XIX. As fontes destacam as tensões entre razão e loucura, o poder das instituições e os riscos de uma autoridade científica sem limites. A novela saiu um ano depois de Memórias Póstumas de Brás Cubas, que o autor lançou em livro em 1881.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Um método para a razão

Descartes abre o Discurso do método dizendo que o bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo e propõe regras para usá-lo bem. Bacamarte parece levar esse programa ao extremo: quer um critério claro e seguro para separar a razão da loucura. A novela mostra o risco do projeto. Cada critério que ele adota recolhe gente demais, e a própria definição de normalidade começa a vacilar. A razão que busca certezas sem limite acaba produzindo o seu próprio desatino.