Cosmos da Filosofia
Espelho rachado encostado numa parede úmida de um quarto vazio, refletindo uma única lâmpada nua, com a chuva escorrendo por uma janela escura

Alan Moore e Brian Bolland · 1988

Batman: A Piada Mortal

O Coringa tenta provar que basta um dia ruim para enlouquecer qualquer pessoa, e Batman precisa detê-lo.

MoralNiilismoSofrimento

Sobre a obra

Graphic novel de edição única publicada pela DC Comics em março de 1988, com 48 páginas em formato de luxo. O roteiro é de Alan Moore, a arte de Brian Bolland e as cores originais de John Higgins. Ganhou o prêmio Eisner de melhor álbum em 1989 e costuma aparecer entre as maiores histórias do Batman.

A trama alterna dois tempos. No passado, conta uma possível origem do Coringa: um homem de família e comediante fracassado que enlouquece depois de um dia ruim. No presente, o Coringa atira em Barbara Gordon, que fica paraplégica, e tenta enlouquecer o comissário Gordon, para provar que basta um dia ruim para levar um homem comum à loucura.

Moore explora a ideia de que Batman e Coringa são imagens espelhadas, duas respostas opostas a uma tragédia. O final ambíguo ainda divide os leitores. O próprio Moore se disse depois insatisfeito com a obra, que considerou sem grande importância humana. A paralisia de Barbara Gordon deu origem, em outras revistas, à personagem Oráculo.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Aristóteles e o caráter

A tese do Coringa é que um único dia ruim basta para desfazer qualquer pessoa. Aristóteles pensava o contrário: o caráter se forma aos poucos, pelo hábito, e não é uma casca que se quebra de uma vez. A pessoa virtuosa não é imune à dor, mas tende a suportar o infortúnio com dignidade. Gordon, submetido ao pior, é o contraexemplo da tese. No fim, Batman lhe diz que ele está sozinho na loucura: o Coringa seria só a exceção que quer transformar em regra.