Cosmos da Filosofia
Um capacete de obra e um par de luvas de trabalho sobre uma pilha de tecido dobrado num galpão pouco iluminado.

Indústria da moda rápida (fast fashion) em Bangladesh · 2013

O desabamento do Rana Plaza

O desabamento de uma fábrica de roupas matou mais de mil pessoas e expôs o custo humano da moda rápida.

JustiçaSofrimento

Sobre a obra

Em 24 de abril de 2013, o prédio de nove andares Rana Plaza, em Savar, perto de Daca, desabou. Construído em 2006 sobre um antigo tanque de água sem as autorizações adequadas, o edifício abrigava cinco fábricas de roupas, além de um banco e apartamentos. O colapso matou 1.134 pessoas e feriu cerca de 2.500 — o desastre mais mortal já registrado na indústria da confecção.

Rachaduras visíveis haviam aparecido no dia anterior; lojas e o banco no prédio fecharam por segurança, mas os donos das fábricas de roupa mandaram os trabalhadores voltarem no dia seguinte, e o dono do edifício declarou publicamente que o problema era só reboco rachado na parede. Andares superiores haviam sido construídos sem autorização, e o peso de maquinário industrial pesado excedia a capacidade da estrutura.

Ao menos 29 marcas internacionais, entre elas Zara, Benetton, Primark, Walmart, Mango e Joe Fresh, tinham produção nas fábricas do prédio. O desastre levou à criação do Acordo sobre Incêndio e Segurança de Edifícios em Bangladesh, assinado por mais de 200 empresas — incluindo, depois da tragédia, marcas como H&M — embora Walmart e outras cerca de catorze companhias norte-americanas tenham recusado o compromisso legalmente vinculante — e impulsionou movimentos como o Fashion Revolution, voltados à transparência da cadeia de produção da moda.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kant e as pessoas como fins em si mesmas

Kant formulou que devemos tratar a humanidade, em nós e em qualquer outra pessoa, sempre também como fim, nunca apenas como meio. Empurrar trabalhadores para dentro de um prédio rachado, para não atrasar entregas de roupas baratas, trata vidas humanas puramente como instrumento de produção e prazo — exatamente o oposto do respeito à dignidade que, para Kant, toda pessoa merece só por ser pessoa, independentemente de sua posição na cadeia produtiva.