Cosmos da Filosofia
Um pedaço de tecido preto com uma costura solta e uma pequena ruptura na trama, estendido sobre uma mesa de ateliê, luz difusa.

Rei Kawakubo (Comme des Garçons) e Yohji Yamamoto · 1981

A estreia de Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto em Paris

Roupas pretas, rasgadas e assimétricas chocaram Paris e abriram um caminho novo para a moda ocidental.

VerdadeLiberdade

Sobre a obra

Em abril de 1981, a estilista japonesa Rei Kawakubo apresentou em Paris, num hotel InterContinental, a coleção de sua marca Comme des Garçons, com peças desproporcionais e assimétricas, diante de uma plateia pequena. No mesmo período, Yohji Yamamoto mostrou sua própria coleção numa pequena loja que ele próprio havia encontrado na Rue du Cygne, para um punhado de convidados.

As roupas dos dois exploravam tons de preto, cinza e branco, tecidos desalinhados de propósito, barras irregulares, buracos deliberados e costuras à mostra — uma ruptura consciente com o legado das silhuetas europeias dos anos 1920 e 1930, que Kawakubo dizia querer deixar para trás para recomeçar do zero.

Parte da crítica francesa reagiu com hostilidade: alguns jornalistas chamaram a coleção de "chique de Hiroshima", numa comparação ofensiva com a destruição da guerra, enquanto outros editores saudaram a chegada dos dois estilistas como um novo amanhecer para a moda internacional. Apesar da reação — ou por causa dela —, os desfiles se tornaram um marco na história da moda, ao desafiar de vez os padrões ocidentais de beleza e de construção de roupa que dominavam Paris.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

A beleza do imperfeito

Yamamoto descreveu buscar, em seu trabalho, a beleza da imperfeição e da transitoriedade — ideias próximas da tradição estética japonesa do wabi-sabi, que valoriza o incompleto, o assimétrico e o marcado pelo tempo, em vez da perfeição polida. Barras desiguais e tecidos desgastados não eram erro de acabamento: eram o próprio ponto da roupa, uma beleza que não depende de estar pronta ou impecável para existir.