O tríbon, manto de lã grosseira usado sem camisa por baixo, era originalmente espartano. Foi adotado por Sócrates e, depois dele, por Antístenes, Diógenes e os filósofos da tradição cínica e estoica, que viam nele um símbolo de virtude e recusa do luxo. Em Roma, o equivalente — o pallium — também passou a vestir filósofos e, mais tarde, cristãos.
Diógenes de Sinope levou o ideal ao extremo: dobrava a própria túnica para servir de cama, carregava um cajado e, ao ver um menino beber água direto das mãos, descartou até a caneca que possuía. Para ele, a filosofia ensinava a ser rico sem precisar de uma moeda sequer — a autossuficiência como forma de liberdade diante da opinião alheia e das posses materiais.
O escritor cristão Tertuliano considerou o pallium a veste mais adequada a filósofos e cristãos, e em Roma a abolla — variante do manto — era usada sobretudo por estoicos e cínicos como pallium philosophicum, distinguindo-os dos cidadãos de toga. Vestir-se assim era, antes de tudo, uma declaração pública sobre que tipo de vida se pretendia levar.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.