
Filosofia Romana
Epicteto
Nasceu escravo e ensinou que a liberdade está em distinguir o que depende de nós do que não depende.
Vida e obra
Epicteto é o filósofo da liberdade interior — e poucos tinham tanta autoridade para falar dela. Nasceu escravo, viveu parte da vida sob o poder de um senhor, andava mancando e nunca foi rico. Ainda assim, ensinou que ninguém pode tirar de nós o que realmente nos pertence. Seus ensinamentos, anotados por um aluno, estão entre os textos mais lidos de toda a filosofia antiga.
A vida
"Adquirido"
Epicteto nasceu por volta de 50 ou 55 d.C., em Hierápolis, na Frígia — hoje Pamukkale, na Turquia. Nem seu nome verdadeiro conhecemos: Epíktetos é uma palavra grega que significa simplesmente "adquirido", um nome dado a escravos.
Escravo em Roma
Chegou a Roma como escravo de Epafrodito, um liberto rico que fora secretário do imperador Nero. Não se sabe exatamente quando: se antes de 68, quando Epafrodito fugiu com Nero, ou depois de 81, sob Domiciano.
Epicteto era coxo. Uma história antiga, transmitida pelo filósofo Celso e citada pelo cristão Orígenes, conta que seu senhor torceu sua perna por crueldade; Epicteto teria avisado calmamente que ela ia quebrar e, quando quebrou, observado apenas que ele tinha avisado. Outra fonte, bem posterior, atribui a deficiência ao reumatismo. A anedota não pode ser confirmada, mas diz muito sobre a imagem que a posteridade guardou dele.
O aluno de Musônio
Ainda escravo, com a permissão do senhor, Epicteto estudou com Musônio Rufo, um senador romano e o mais importante estoico de sua geração. Mais tarde, foi libertado e passou a ensinar filosofia em Roma.
O exílio e a escola de Nicópolis
Por volta de 89 d.C., o imperador Domiciano, desconfiado dos filósofos, expulsou-os de Roma e da Itália. Epicteto mudou-se para Nicópolis, no Épiro, noroeste da Grécia, uma cidade importante na rota entre a Itália e o Oriente. Ali fundou uma escola que atraiu jovens das elites romanas e ganhou grande prestígio.
Viveu com enorme simplicidade e nunca se casou. Na velhice, adotou uma criança cujos pais não tinham como sustentá-la. Morreu por volta de 135 d.C.
Os textos
Arriano, o aluno que anotava
Como Sócrates, que admirava profundamente, Epicteto não escreveu nada. Conhecemos seu ensino graças a Flávio Arriano, um jovem aluno que mais tarde seria historiador e alto funcionário romano. Arriano registrou as aulas em grego comum, muito diferente de seu próprio estilo literário, para preservar o tom vivo das conversas.
- Os Discursos reuniam pelo menos oito livros; quatro sobreviveram. São conversas vivas, cheias de perguntas, ironias, exemplos cotidianos e repreensões aos alunos.
- O Manual (Enchiridion) é um resumo breve dos principais ensinamentos, pensado para ser levado sempre à mão. É o texto mais conhecido, mas também o mais seco: sem o contexto dos Discursos, pode dar uma impressão simplificada do pensamento de Epicteto.
- Há ainda fragmentos citados por autores antigos.
Obras
O que escreveu
3 obras na biblioteca.
Influências
De onde veio, para onde foi
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