Cosmos da Filosofia
Banquinho de madeira manchado de tinta ao lado de uma janela aberta à noite, com uma vela quase no fim sobre o parapeito e estrelas tênues num céu azul-escuro

Vincent van Gogh · 1889

A Noite Estrelada

Um céu em redemoinho sobre uma aldeia adormecida, pintado por Van Gogh no asilo de Saint-Rémy.

MorteMoralExistência

Sobre a obra

Óleo sobre tela do holandês Vincent van Gogh, pintado em junho de 1889 no asilo de Saint-Paul-de-Mausole, perto de Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. Van Gogh tinha se internado ali voluntariamente em 8 de maio, depois de uma crise mental em dezembro de 1888. O quadro pertence ao Museu de Arte Moderna, o MoMA, de Nova York, desde 1941.

Mostra a vista da janela de seu quarto, voltada para o leste, pouco antes do nascer do sol, com o acréscimo de uma aldeia imaginária, cujo campanário lembra mais a Holanda do que a Provença. Em primeiro plano ergue-se um cipreste, árvore que a cultura europeia associa à morte. A estrela mais brilhante seria Vênus, visível ao amanhecer na Provença naquela primavera.

O quadro foi pintado de dia, no ateliê do térreo, a partir de uma vista que Van Gogh retratou ao menos 21 vezes. Ele não ficou satisfeito: numa carta de novembro de 1889 ao pintor Émile Bernard, chamou-o de fracasso. Em outra carta, contou que sentia uma enorme necessidade de religião e por isso saía à noite para pintar as estrelas. Morreu no ano seguinte, em 1890.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Sócrates e a viagem desconhecida

Um ano antes, em Arles, Van Gogh escreveu ao irmão Theo que a visão das estrelas o fazia sonhar, e que, assim como tomamos o trem para ir a uma cidade, tomamos a morte para chegar a uma estrela. Não é uma certeza, e ele admite não saber nada ao certo. É uma posição parecida com a de Sócrates na Apologia: ninguém sabe o que é a morte, e temê-la é fingir um saber que não se tem. Talvez seja um sono sem sonhos; talvez, uma mudança para outro lugar. O céu do quadro tem algo desse lugar.