O ativista e empresário Eli Pariser cunhou a expressão “bolha de filtros” por volta de 2010 para descrever o que chamou de “ecossistema pessoal de informação” montado por algoritmos de personalização. A ideia ganhou forma em seu livro The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You, publicado em maio de 2011.
Em palestra no TED de março de 2011, Pariser ilustrou o efeito pedindo a dois amigos que buscassem a palavra “Egito” no Google: os resultados eram parecidos em temas como notícias e turismo, mas apenas um deles trazia, no topo, links sobre a revolução egípcia de 2011 em curso naquele momento — a busca idêntica gerava bolhas diferentes.
Pariser argumentava que a personalização, ao filtrar automaticamente o que cada pessoa vê, tende a produzir isolamento intelectual e fragmentação social, fechando o usuário para ideias e informações que contrariam suas visões. A tese, porém, recebeu críticas empíricas: um experimento do jornalista Jacob Weisberg, na revista Slate, em 2011, encontrou variações mínimas entre buscas de usuários com posições ideológicas diferentes, e o professor de Harvard Jonathan Zittrain contestou o alcance real da personalização, chamando seus efeitos de “leves”.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.