Cosmos da Filosofia
Interior vazio de um café europeu do século XVIII à luz de velas

séc. XVIII

Iluminismo

Razão, crítica e autonomia. Kant pergunta o que podemos saber, o que devemos fazer e o que nos é permitido esperar.

O século da razão

O Iluminismo é o movimento intelectual que dominou o século XVIII europeu. Em um texto de 1784, Kant o definiu como a saída do ser humano da menoridade pela qual ele próprio é responsável — a incapacidade de usar o próprio entendimento sem a direção de outro. O lema do Iluminismo, dizia Kant, é ter a coragem de pensar por si mesmo. Convencionalmente, o período termina com a Revolução Francesa e a ascensão do Romantismo, na última década do século.

O matemático d'Alembert chamou sua época de "o século da filosofia" por excelência. A confiança na razão, porém, conviveu desde o início com o ceticismo e com uma consciência aguda de seus limites.

O mundo em volta

O modelo de Newton

Os Princípios matemáticos da filosofia natural de Isaac Newton, publicados em 1687, forneceram o modelo que inspirou o século: fenômenos físicos muito diversos, dos planetas às marés, explicados por poucas leis matemáticas simples e universais. A pergunta que se impôs foi: se a razão conseguiu isso com a natureza, por que não aplicá-la também à religião, à moral, à sociedade e à política?

A Enciclopédia

A Encyclopédie, dirigida por Diderot e d'Alembert e publicada entre 1751 e 1772 em 28 volumes, com mais de 70 mil artigos, é o grande símbolo do período: um esforço coletivo para reunir e difundir o conhecimento humano, muitas vezes em tensão com as autoridades religiosas e políticas.

Depois das guerras de religião

A memória das guerras entre confissões cristãs que devastaram a Europa estimulou a busca de uma ética independente das disputas religiosas e a defesa da liberdade de consciência.

Os temas do Iluminismo

Razão e autonomia

O ideal central é pensar por si mesmo contra a autoridade da tradição. Mas foi justamente um iluminista, David Hume (1711–1776), quem mostrou até onde a razão pode ser corrosiva. Empirista radical, Hume distinguiu as impressões — as experiências presentes — das ideias derivadas delas e argumentou que não percebemos nenhuma conexão necessária entre causa e efeito: vemos apenas eventos que se seguem regularmente, e é o hábito que nos leva a esperar que continuem assim. Quando consideramos nossa própria falibilidade, concluía Hume, todo conhecimento acaba se reduzindo a probabilidade.

Religião

O Iluminismo não foi simplesmente antirreligioso. Conviveram nele posições muito diferentes:

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Quem pensou, o que fundou, o que escreveu