
séc. XIV–XVI
Renascimento
Redescoberta dos textos antigos, humanismo e as primeiras rupturas com a imagem medieval do mundo.
Olhar para trás para seguir adiante
O Renascimento se estende, grosso modo, de meados do século XIV ao início do século XVII. Sua premissa mais característica é que a Antiguidade clássica era uma fonte insuperável de excelência, e que era possível recuperar uma sabedoria perdida desde a queda de Roma. Os estudiosos da época passaram a buscar, editar, traduzir e comentar textos gregos e latinos, muitos deles pouco conhecidos ou lidos apenas por meio de intermediários medievais.
Essa volta aos antigos teve efeitos concretos. O manuscrito do poema Sobre a natureza das coisas, de Lucrécio, redescoberto em 1417 por Poggio Bracciolini, devolveu o epicurismo à circulação. As obras de Platão e de Plotino foram traduzidas integralmente para o latim. E a prensa de tipos móveis, surgida em meados do século XV, multiplicou as edições e ampliou o público leitor.
É importante não exagerar a ruptura: o aristotelismo continuou vivo e sofisticado nas universidades durante todo o período. O Renascimento não substitui a filosofia medieval de uma vez; ele abre novas frentes ao lado dela.
O humanismo
Um novo modo de ler
Os humanistas desenvolveram uma nova forma de ler, escrever, falar e ensinar, baseada no estudo filológico das línguas antigas. Defendiam a leitura dos textos nas línguas originais, preferiam as autoridades antigas às medievais e davam mais importância à filosofia moral e à retórica do que à metafísica, dirigindo-se a um público amplo interessado na virtude prática.
Petrarca
Francesco Petrarca (1304–1374) é visto como o fundador da crítica humanista à escolástica. Contra os debates técnicos das universidades, propôs a ética como centro da filosofia e reviveu o interesse pela moral estoica.
Erasmo
Erasmo de Roterdã (c. 1466–1536) é o grande nome do humanismo cristão. Defendia uma philosophia Christi: uma vida cristã fundada no estudo cuidadoso das fontes e na prática moral, mais do que nas sutilezas da teologia escolástica.
O platonismo de Florença
Marsilio Ficino
Marsilio Ficino (1433–1499) foi um dos filósofos mais famosos do Renascimento italiano. Traduziu para o latim as obras de Platão e de Plotino e as comentou, oferecendo uma alternativa plausível ao domínio de Aristóteles. Combinou elementos de tradições filosóficas, religiosas e literárias diferentes e formulou a ideia de uma prisca theologia, uma "teologia antiga": uma sabedoria original, transmitida desde a Antiguidade, que se harmonizaria com o cristianismo. Defendeu com argumentos neoplatônicos a imortalidade da alma.
Pico della Mirandola
Giovanni Pico della Mirandola (1463–1494), nobre italiano, quis reunir o pensamento grego, hebraico, islâmico e cristão em uma grande síntese. Em 1486 publicou as Conclusiones: 900 teses — 402 atribuídas a outros pensadores e 498 próprias — que pretendia debater publicamente em Roma. O papa Inocêncio VIII mandou examiná-las; treze foram questionadas, e depois o papa denunciou todas. O debate nunca aconteceu.
Problemas centrais

