Cosmos da Filosofia
Restos enferrujados de um antigo viaduto tomados por musgo e flores silvestres de cores vivas num vale verdejante, sob um céu de entardecer em tons de rosa e laranja

Pendleton Ward · 2010–2018

Hora de Aventura

Um menino e seu irmão, um cão que muda de forma, saem em aventuras pela colorida e estranha Terra de Ooo.

ExistênciaTempoConsciência

Sobre a obra

Série animada criada por Pendleton Ward para o Cartoon Network e produzida pela Frederator Studios e pela Cartoon Network Studios. Nasceu de um curta exibido em 2007 no canal Nicktoons, que virou sucesso na internet. Foi ao ar de 5 de abril de 2010 a 3 de setembro de 2018, em 10 temporadas e 283 episódios de cerca de 11 minutos.

A história se passa na Terra de Ooo, cerca de mil anos depois de um holocausto nuclear chamado Guerra dos Cogumelos, que trouxe a magia de volta ao mundo. Os protagonistas são Finn, um menino, e Jake, seu irmão adotivo, um cão capaz de mudar de forma. Ward a descreveu como uma comédia sombria e disse gostar de emoções ambíguas, como sentir-se feliz e com medo ao mesmo tempo.

Ganhou oito Emmys, um Peabody e três prêmios Annie. A crítica Emily Nussbaum, da New Yorker, comparou a série a World of Warcraft recontado por Carl Jung. A história do Rei Gelado foi especialmente elogiada; o escritor Lev Grossman a comparou à experiência de ver o pai com Alzheimer. Vários artistas da equipe, como Rebecca Sugar, criaram depois suas próprias séries.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Locke e a identidade do Rei Gelado

Para John Locke, o que faz de alguém a mesma pessoa ao longo do tempo não é o corpo, mas a consciência que se estende pela memória. O Rei Gelado põe a ideia à prova. Ele já foi Simon Petrikov, um antiquário que comprou uma coroa mágica; ela lhe deu poderes, mas apagou pouco a pouco suas lembranças e seu juízo. Se Simon não se lembra de quem foi, o Rei Gelado ainda é ele? Críticos viram na coroa uma metáfora da demência, em que essa pergunta deixa de ser abstrata.