A fábula é atribuída a Esopo e catalogada com o número 15 no Índice de Perry, um catálogo moderno das fábulas esópicas. Uma raposa faminta tenta alcançar um cacho de uvas pendurado alto numa videira, salta com toda a força e não consegue.
Em vez de admitir a derrota, a raposa decide que as uvas não estavam maduras mesmo e vai embora. Desse episódio nasceu a expressão “uvas verdes”, hoje usada para desprezar aquilo que não se conseguiu obter; versões medievais falam de cerejas, e versões escandinavas, de sorveiras.
A fábula costuma ser lida como retrato do que hoje se chama dissonância cognitiva: sustentar dois desejos incompatíveis ao mesmo tempo. O desprezo da raposa funciona como defesa que reduz o conflito interno; o cientista social Jon Elster chamou esse padrão de “formação adaptativa de preferências”, a racionalização de metas inatingíveis como indesejáveis.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.