Cosmos da Filosofia
Uma rua estreita de pedras numa cidade antiga ao entardecer, portas de madeira fechadas dos dois lados, sem nenhuma pessoa à vista

Lenda alemã, registrada pelos Irmãos Grimm · c. 1284 (fato relatado); registro escrito a partir de c. 1300–1440

O Flautista de Hamelin

Um flautista contratado para livrar uma cidade de uma praga leva embora, em troca do calote, as crianças do lugar.

JustiçaSofrimento

Sobre a obra

O registro mais antigo da lenda é um vitral da igreja de Hamelin, de cerca de 1300, hoje perdido mas descrito em textos posteriores. Um registro da cidade de 1384 diz que fazia cem anos que as crianças haviam partido, situando o episódio em torno de 1284.

O manuscrito de Lüneburg, de cerca de 1440–1450, é um dos relatos escritos mais antigos: fala de um jovem de trinta anos que tocou um pife prateado e levou 130 crianças, que desapareceram. Nesses primeiros registros não há ratos: eles só entram na história numa versão de cerca de 1559.

Historiadores propõem explicações diversas para o núcleo do relato: uma peste, um surto de mania de dança, o recrutamento de jovens colonos para o leste europeu ou uma cruzada infantil. Os Irmãos Grimm reuniram onze fontes para sua versão, na qual duas crianças ficam para trás, por serem cega e coxa, e as demais dão origem a comunidades na Transilvânia.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Aristóteles e a justiça corretiva

Aristóteles descreve a justiça corretiva como a que restabelece um equilíbrio rompido entre duas partes, sem olhar para o mérito geral de cada uma, só para o dano cometido. O conselho de Hamelin recebe o serviço combinado e recusa o pagamento; a lenda faz o flautista impor, à força, uma equivalência entre o que foi prometido e o que a cidade perde. É justiça corretiva levada ao extremo, cobrada de quem não tinha culpa no acordo quebrado.