O filósofo inglês Jeremy Bentham concebeu o panóptico em 1785, durante uma viagem à Rússia, e desenvolveu o projeto com desenhos arquitetônicos do arquiteto Willey Reveley em 1791. A ideia é um edifício circular com uma torre de vigilância no centro e celas dispostas ao redor, na circunferência — nas palavras do próprio Bentham, os prisioneiros ocupando a periferia e os oficiais, o centro.
O mecanismo dependia de um efeito psicológico: mesmo que um único vigia não pudesse observar todos os presos ao mesmo tempo, estes nunca saberiam quando estavam sendo observados, e por isso tenderiam a se comportar como se estivessem sempre sob vigilância. Bentham chamava esse efeito de sentimento de uma espécie de onipresença invisível.
Bentham imaginava o modelo aplicável não só a prisões, mas a hospitais, escolas, asilos e fábricas — qualquer lugar que precisasse de supervisão. Via nisso uma reforma barata e humanitária: os presos deveriam perder apenas a liberdade, não a saúde ou a vida. Nenhum panóptico completo foi construído em vida de Bentham, mas o projeto influenciou prisões reais, como Millbank (1821) e Pentonville (1840–1842). No século XX, Michel Foucault usou o panóptico como metáfora central das sociedades disciplinares modernas.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.