Cosmos da Filosofia
Um véu de linho branco dobrado sobre um banco de mármore frio, em uma capela vazia iluminada por uma única vela

Michelangelo · 1498–1499

Pietà

Maria segura no colo o corpo sem vida de Jesus, na única obra que Michelangelo assinou.

SofrimentoMorteVirtude

Sobre a obra

A Pietà foi encomendada por volta de 1498 pelo cardeal francês Jean Bilhères de Lagraulas para sua própria capela funerária na antiga Basílica de São Pedro. Michelangelo tinha cerca de 23 ou 24 anos quando a concluiu, esculpida em mármore de Carrara. Hoje ela está na primeira capela à direita da entrada da atual basílica, construída depois.

A obra representa a chamada "sexta dor" de Maria: o momento em que ela recebe nos braços o corpo de Cristo depois da crucificação. É a única peça que Michelangelo assinou — a inscrição "MICHAELANGELVS BONAROTVS FLORENTINVS FACIEBAT" está na faixa que cruza o peito de Maria.

Chama atenção o rosto jovem de Maria, mais jovem do que seria de esperar para a mãe de um filho adulto morto. Estudiosos associam essa escolha à ideia de pureza incorruptível da Virgem, e há quem aproxime a composição de versos da Divina Comédia, de Dante, que Michelangelo conhecia bem. A obra é considerada um marco entre o Renascimento inicial e o Alto Renascimento.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Sêneca e a dor comedida

Sêneca escreveu cartas de consolação a pessoas enlutadas, defendendo que a dor é natural, mas não deve dominar quem sofre a ponto de destruí-lo. O rosto de Maria na Pietà não grita nem se desfigura: é sereno, quase suspenso, embora sustente no colo o filho morto. Essa contenção lembra o ideal estoico de sentir a perda sem ser arrastado por ela — sofrer como quem ainda governa a própria alma.