Cosmos da Filosofia
Mesa de madeira junto a uma janela em dia de inverno, com fotografias antigas desbotando até ficarem em branco e uma xícara de chá esfriando

Michel Gondry · 2004

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Depois de uma separação dolorosa, um homem decide apagar da memória tudo o que viveu com a ex-namorada.

ConsciênciaFelicidadeTempo

Sobre a obra

Dirigido por Michel Gondry, com roteiro de Charlie Kaufman a partir de uma história de Gondry, Kaufman e Pierre Bismuth, o filme estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 19 de março de 2004. Jim Carrey e Kate Winslet vivem Joel e Clementine, um casal que, depois do rompimento, passa por um procedimento para apagar as lembranças um do outro.

A ideia surgiu em 1998, em conversas entre Gondry e Bismuth, que pensara em apagar pessoas da memória depois de ouvir uma amiga se queixar do namorado. Kaufman quis reduzir o lado de ficção científica e se concentrar no relacionamento. O título vem de Eloisa to Abelard, poema que Alexander Pope publicou em 1717.

Com narrativa não linear, o filme mostra a memória como fragmentada e pouco confiável. Gondry, Kaufman e Bismuth ganharam o Oscar de roteiro original, e Winslet foi indicada ao de melhor atriz. O filósofo Christopher Grau defendeu que a obra tem uma filosofia própria e organizou um livro sobre ela, que discute amor, memória, identidade pessoal e repetição.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Locke e a identidade feita de memória

John Locke fez da consciência o critério da identidade pessoal: somos a mesma pessoa na medida em que nossa consciência alcança ações e pensamentos passados. Se é assim, apagar dois anos de lembranças seria apagar um pedaço de quem Joel é. O filme, porém, sugere que algo resiste ao procedimento. Mesmo sem lembrar, Joel segue um impulso e vai a Montauk, onde os dois se conheceram, e, ao reencontrar Clementine por acaso, volta a se sentir atraído por ela.