Cosmos da Filosofia
Vela quase no fim num nicho de pedra fria, com a chama pequena se curvando, cera derramada e cinzas espalhadas, e escuridão ao redor

FromSoftware · 2011

Dark Souls

Um morto-vivo amaldiçoado atravessa um reino em ruínas onde morrer é só o começo de mais uma tentativa.

MorteSofrimentoVontade

Sobre a obra

Dark Souls é um RPG de ação desenvolvido pela FromSoftware e publicado pela Namco Bandai Games, com direção de Hidetaka Miyazaki. Saiu no Japão em 22 de setembro de 2011, para PlayStation 3 e Xbox 360; ganhou versão para Windows em 2012 e uma remasterização em 2018. É citado entre os maiores jogos de todos os tempos.

O jogador é um morto-vivo amaldiçoado que escapa de um asilo e segue em peregrinação a Lordran, reino decadente perto do fim da Era do Fogo. Os humanos marcados pelo Darksign estão condenados a ressuscitar depois de morrer e, com o tempo, a perder a razão e se tornar vazios. Ao morrer, o personagem volta à última fogueira, deixa no chão as almas que carregava e precisa buscá-las antes de morrer de novo.

Segundo Miyazaki, a meta era dar ao jogador liberdade para experimentar estratégias e fazê-lo se sentir recompensado ao superar obstáculos. A história é contada de forma mínima, em boa parte pelas descrições dos itens. O jogador pode deixar mensagens com frases prontas e ver manchas de sangue que mostram como outros jogadores morreram.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Camus e a pedra de Sísifo

Em Dark Souls, morrer não encerra nada: o personagem volta à última fogueira, os inimigos reaparecem e o caminho precisa ser refeito. Camus escolheu como imagem da condição humana Sísifo, condenado a empurrar a mesma pedra montanha acima para sempre, e concluiu que é preciso imaginá-lo feliz, porque a própria luta rumo ao alto basta para preencher um coração humano. O jogo aposta em algo parecido: a recompensa não vem de fora, mas do esforço de tentar outra vez.