Cosmos da Filosofia
Várias blusas pretas de gola alta idênticas dobradas em pilha sobre uma prateleira de madeira, luz neutra.

Fenômeno associado a Steve Jobs, entre outros · Anos 1980–2010

O uniforme pessoal

Vestir sempre a mesma roupa para sobrar energia mental para as decisões que realmente importam.

LiberdadeVontade

Sobre a obra

No início dos anos 1980, Steve Jobs conheceu o estilista japonês Issey Miyake por meio de Akio Morita, então presidente da Sony, e se encantou com os uniformes de nylon rip-stop que Miyake havia desenhado para os funcionários da Sony. Jobs pediu a Miyake um colete parecido para os funcionários da Apple, mas a ideia foi rejeitada pelos próprios empregados quando apresentada.

Depois desse fracasso, Jobs fez um pedido pessoal a Miyake: gostava das blusas de gola alta preta do estilista e pediu que fizesse várias para ele. Miyake produziu cerca de cem peças; segundo o biógrafo Walter Isaacson, Jobs disse ter roupa suficiente para o resto da vida, e a gola alta preta, o jeans e o tênis viraram seu visual fixo em quase toda aparição pública.

Prática parecida foi descrita por outras figuras públicas: o ex-presidente americano Barack Obama contou, num perfil de Michael Lewis para a Vanity Fair, que só usa ternos cinza ou azul, explicando que quer poupar energia de decisão para assuntos mais importantes do que escolher roupa ou comida, e que é preciso rotinizar certas escolhas para não se distrair com trivialidades ao longo do dia.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Epicteto e o que merece nossa atenção

Epicteto separava o que está sob nosso controle — julgamento, escolha, vontade — do que não está, e recomendava não gastar energia deliberando sobre o que pouco importa. Escolher a roupa todos os dias entra, para a maioria das pessoas, nessa segunda categoria: uma decisão de baixo peso que ainda assim consome tempo e atenção. Eliminar essa escolha repetitiva é, nessa leitura, uma forma prática de reservar o julgamento para o que de fato exige cuidado.