Cosmos da Filosofia
Moldura de madeira vazia apoiada numa parede branca, com a sombra de uma xícara sobre a mesa projetada dentro dela, sob luz lateral limpa

René Magritte · 1929

A Traição das Imagens

Um cachimbo pintado e, logo abaixo, uma frase que nega que aquilo seja um cachimbo.

VerdadeConhecimento

Sobre a obra

Óleo sobre tela do pintor belga René Magritte, de 1929, hoje no Museu de Arte do Condado de Los Angeles, o LACMA. Mostra a imagem de um cachimbo e, logo abaixo, escrita em letra cursiva caprichada, uma frase em francês que nega que aquilo seja um cachimbo. No catálogo do museu, a frase aparece entre parênteses no título completo.

O museu observa que a obra imita o estilo de um anúncio, com a frase servindo de legenda como um slogan, e a descreve como um tratado sobre a impossibilidade de conciliar palavra, imagem e objeto: ela desafia o hábito de tomar a imagem de uma coisa pela própria coisa. É considerada uma obra-chave do surrealismo e um ícone da arte moderna.

Magritte explicou a provocação: ninguém conseguiria encher de fumo aquele cachimbo, porque ele é só uma representação; se tivesse escrito que era um cachimbo, estaria mentindo. Voltou ao tema em outros quadros, como Os Dois Mistérios, e seu uso enigmático de palavras influenciou artistas como Jasper Johns, Roy Lichtenstein e Ed Ruscha.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Platão e a cópia da cópia

Na República, Platão distingue três camas: a Forma da cama, a cama que o marceneiro fabrica olhando para ela e a cama que o pintor imita olhando para a do marceneiro. A pintura fica em terceiro lugar em relação à verdade, porque copia só a aparência de um objeto que já é cópia. Magritte parece dar razão a Platão, mas com humor. Em vez de esconder que imita, o quadro confessa por escrito que não passa de imagem. O engano que Platão temia na arte é denunciado pela própria obra.