Tríptico a óleo sobre painéis de carvalho de Hieronymus Bosch, nome pelo qual ficou conhecido Jheronimus van Aken. A datação é discutida, com propostas entre 1480 e 1515; costuma-se situá-lo entre 1490 e 1510. Pouco se sabe com certeza sobre a vida de Bosch e sobre a encomenda. A obra foi registrada em 1517 no palácio dos Nassau, em Bruxelas, passou a Filipe II da Espanha, seguiu para o Escorial em 1593 e está no Prado desde 1939.
Aberto, mostra três painéis. À esquerda, o Jardim do Éden, com Deus apresentando Eva a Adão. No centro, uma multidão de figuras nuas entre frutas gigantes, aves e criaturas fantásticas, entregues ao prazer. À direita, o inferno, com demônios, instrumentos musicais usados como suplício, um monstro com cabeça de pássaro que devora corpos e o Homem-Árvore. Fechado, mostra em grisalha o mundo no terceiro dia da criação.
O título é moderno: inventários antigos chamaram o quadro de A Luxúria, de pintura do medronheiro e de pintura da variedade do mundo. Não se sabe se foi feito como retábulo. A leitura dominante vê nele um alerta: o pecado entra no mundo com a criação de Eva, o painel central mostra a fugacidade dos prazeres terrenos, e o inferno é o seu destino. Wilhelm Fraenger, ao contrário, viu no centro um paraíso de inocência.
Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.