Cosmos da Filosofia
Lago coberto de névoa ao amanhecer, com gelo fino nas margens e juncos curvados pela geada, sob uma luz dourada que rompe a bruma

Hans Christian Andersen · 1843

O Patinho Feio

Um patinho maltratado no terreiro por ser diferente sai pelo mundo sem saber quem é.

ExistênciaSofrimento

Sobre a obra

Conto do dinamarquês Hans Christian Andersen (1805–1875), “Den grimme ælling” foi publicado em 11 de novembro de 1843, em Copenhague, pelo editor C. A. Reitzel, no primeiro volume dos Novos contos de fadas. Um patinho é rejeitado e maltratado pelos bichos do terreiro, atravessa a solidão do inverno e, ao crescer, descobre o que realmente é.

Não se trata de adaptação de um conto do folclore: a história é criação original do autor. Estudiosos apontam elementos autobiográficos. Andersen foi um menino alto, de nariz e pés grandes, alvo de zombarias na infância, que mais tarde desenvolveu uma bela voz e uma paixão pelo teatro.

Entre os temas destacados pelos estudiosos estão a aceitação de si, a transformação, o isolamento social, a intimidação entre iguais e a ideia de que as aparências enganam. A história também é lida como reflexão sobre o conformismo, a pressão do grupo e o reconhecimento tardio do valor de alguém.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Nietzsche e o tornar-se quem se é

Nietzsche retomou de Píndaro a ideia de que é preciso tornar-se quem se é, e fez dela o subtítulo de Ecce Homo. Para ele, ninguém chega a isso seguindo o rebanho, e o caminho passa por dores e desvios. O patinho não escolhe sua diferença nem sabe o que ela significa; só ao final descobre a natureza que carregava desde o início. A leitura não faz dele um herói consciente, mas alguém que vira o que era.