Cosmos da Filosofia
Peças de madeira curvada, parafusos e porcas espalhados sobre uma bancada de marcenaria, sob luz quente da tarde, sem nenhuma cadeira montada à vista

Michael Thonet · 1859

A cadeira Thonet nº 14

Uma cadeira de café vienense que se tornou o primeiro móvel do mundo produzido em massa.

ConhecimentoExistênciaLiberdade

Sobre a obra

O marceneiro Michael Thonet apresentou a cadeira nº 14 em 1859, no Império Austríaco, depois de anos aperfeiçoando a técnica de curvar madeira a vapor. Ela se tornou o primeiro móvel do mundo produzido em massa e recebeu medalha de ouro na Exposição Universal de Paris de 1867.

A técnica de curvar madeira de faia a vapor permitia moldar a estrutura com poucas peças: seis pedaços de madeira curvada, dez parafusos e duas porcas bastavam para montá-la, um processo simples o bastante para ser feito por trabalhadores sem formação especializada. Versões posteriores usaram oito peças, com reforços diagonais.

Entre 1859 e 1930, a empresa Gebrüder Thonet vendeu 50 milhões de unidades, e sucessoras produziram milhões a mais, tornando-a um dos móveis mais vendidos da história. O arquiteto Le Corbusier a elogiou como um design elegante e preciso; hoje, já em domínio público, marcas como Ikea e Muji vendem versões próprias.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Platão e as cópias do modelo

No livro X da República, Platão usa o exemplo de um móvel — uma cama — para explicar sua teoria das Formas: existe um modelo ideal, eterno e perfeito, do qual todo marceneiro faz apenas cópias imperfeitas. A cadeira nº 14, reproduzida aos milhões a partir do mesmo desenho, leva essa lógica ao extremo industrial: um único modelo, pensado por Thonet, gera exemplares quase idênticos espalhados pelo mundo. A diferença é que, para Platão, a cópia sensível está sempre abaixo do modelo; para o design industrial, a cópia bem-feita é o próprio objetivo.