Cosmos da Filosofia
Ateliê de escultor na penumbra do amanhecer, com um banquinho de madeira vazio, um bloco de argila ainda bruto sobre um cavalete e ferramentas espalhadas, com poeira num feixe de luz

Auguste Rodin · 1880–1904

O Pensador

Um homem nu, sentado e curvado sobre si mesmo, que virou a imagem mais conhecida do ato de pensar.

ConsciênciaConhecimentoSofrimento

Sobre a obra

Auguste Rodin concebeu O Pensador em 1880 como parte de A Porta do Inferno, um grande portal inspirado na Divina Comédia, de Dante. Com cerca de 70 cm, a figura ficaria no alto do portal e se chamava, de início, O Poeta: representava o próprio Dante, inclinado para observar os círculos do Inferno enquanto meditava sobre sua obra.

Exposta sozinha pela primeira vez em 1888, a figura ganhou vida própria. A versão monumental foi apresentada em 1904 e, em 1906, um exemplar foi instalado diante do Panthéon, em Paris, como presente à cidade. Em 1922 ele foi transferido para o Museu Rodin. Outro exemplar está sobre o túmulo do escultor, em Meudon, e há várias outras fundições pelo mundo.

Rodin queria uma figura heroica, na tradição de Michelangelo, que representasse tanto o intelecto quanto a poesia; por isso ela aparece nua. Segundo o Museu Rodin, a pose remete ao Ugolino de Carpeaux e ao Lorenzo de Médici de Michelangelo, e a figura reúne um corpo atormentado, quase de condenado, e um homem livre que quer superar o sofrimento pela poesia.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Descartes e a coisa que pensa

Descartes encontrou a primeira certeza no próprio pensamento: posso duvidar do mundo e até do meu corpo, mas não de que penso. O que sou, concluiu, é uma coisa que pensa, e mente e corpo são realidades distintas. A escultura de Rodin propõe outra imagem. Nela o pensamento não parece separado do corpo: está nos ombros curvados, no punho apoiado, nos músculos tensos. Lida ao lado de Descartes, a obra levanta uma pergunta que atravessa a filosofia moderna: é possível pensar sem um corpo que pensa junto?