Cosmos da Filosofia
Cais de pedra de um canal urbano na claridade pálida de uma noite de verão, com paralelepípedos molhados, grades de ferro e um lampião apagado

Fiódor Dostoiévski · 1866

Crime e Castigo

Um ex-estudante pobre de São Petersburgo decide pôr à prova uma teoria perigosa sobre quem teria o direito de transgredir.

MoralSofrimentoNiilismo

Sobre a obra

Romance de Fiódor Dostoiévski publicado em doze partes mensais na revista literária O Mensageiro Russo ao longo de 1866 e lançado em livro no ano seguinte. O autor, que havia passado uma década entre trabalhos forçados e exílio na Sibéria, devia então grandes somas a credores. A obra é considerada o primeiro grande romance de sua fase madura e é frequentemente citada entre as maiores da literatura mundial.

A história se passa em São Petersburgo. Rodion Raskólnikov, um ex-estudante de direito de 23 anos que vive na miséria, planeja matar uma velha penhorista. O romance se concentra menos no crime do que na angústia e nos dilemas morais do protagonista, a partir de sua teoria de que certos indivíduos “extraordinários” teriam o direito de ultrapassar os limites da moral comum.

Entre os temas que as fontes destacam estão o niilismo, o racionalismo, a religião, a culpa e a possibilidade de uma salvação pelo sofrimento. Sônia, filha de um funcionário público, tem papel decisivo nesse percurso e acompanha Raskólnikov até o epílogo, ambientado na Sibéria, onde ele cumpre uma pena de oito anos de trabalhos forçados.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

O extraordinário e o além-do-homem

A teoria de Raskólnikov — a de que homens como Napoleão estariam acima da moral comum — costuma ser aproximada do além-do-homem de Nietzsche. A diferença, porém, é grande. Para Nietzsche, o além-do-homem é quem cria novos valores depois da morte de Deus, sem cair no niilismo. Raskólnikov só quer provar a si mesmo que pertence a uma categoria superior, e usa uma ideia abstrata para autorizar o que já desejava. O romance mostra o preço: em vez de liberdade, vêm a febre, o isolamento e o medo.