Cosmos da Filosofia
Corredor comprido e vazio de uma instituição antiga, dissolvendo-se numa luz branca leitosa, com estrados de cama de ferro enfileirados e um copo de água no chão

José Saramago · 1995

Ensaio sobre a Cegueira

Uma cegueira branca e inexplicável se espalha por uma cidade, e só uma mulher continua a enxergar.

JustiçaMoralConhecimento

Sobre a obra

Romance do escritor português José Saramago publicado em 1995 pela Editorial Caminho, em Portugal, e lançado no Brasil pela Companhia das Letras. O livro pesou no Nobel de Literatura que Saramago recebeu em 1998. Em 2004, o autor publicou Ensaio sobre a Lucidez, continuação deste romance.

Numa cidade sem nome, uma epidemia inexplicável de cegueira branca atinge quase todos os habitantes, e a ordem social desmorona. Os primeiros doentes são isolados em quarentena num manicômio desativado. Só a mulher do médico continua a enxergar, sem explicação; ela finge estar cega para acompanhar o marido e passa a sustentar um pequeno grupo em meio ao caos.

Ninguém tem nome: os personagens são chamados pelo que os distingue, como o primeiro cego, a rapariga dos óculos escuros ou o velho da venda preta. Saramago usa longos períodos em que as vírgulas substituem pontos e aspas, misturando narração e falas. Em 2008, Fernando Meirelles dirigiu a adaptação para o cinema, que estreou no Festival de Cannes.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sem um poder comum

Quando os doentes são isolados e deixados à própria sorte, a quarentena vira um mundo sem autoridade capaz de impor regras, e um grupo de internos se apodera da comida para extorquir os demais. Thomas Hobbes chamou de estado de natureza essa condição sem um poder comum, em que cada um teme a violência dos outros. Platão, na República, já perguntava, com o anel de Giges, se alguém continuaria justo sem ser visto. Num lugar onde ninguém vê ninguém, o romance testa as duas hipóteses.