Cosmos da Filosofia
Riacho estreito ladeado de buritis atravessando um cerrado seco ao amanhecer, com névoa sobre a água e uma sela de couro gasta sobre um mourão de cerca

João Guimarães Rosa · 1956

Grande Sertão: Veredas

Um velho ex-jagunço conta a vida no sertão e tenta entender se fez, ou não, um pacto com o diabo.

LiberdadeMoralExistência

Sobre a obra

Romance de João Guimarães Rosa publicado em 1956 pela Livraria José Olympio Editora. É considerado uma das maiores obras da literatura brasileira, sobretudo pela reinvenção da língua portuguesa: Rosa mistura neologismos, arcaísmos, termos coloquiais e expressões regionais mineiras, o que torna a tradução especialmente difícil. O livro recebeu três prêmios nacionais.

O texto corre num único bloco, sem divisão em capítulos. Riobaldo, um velho ex-jagunço, conta a própria vida a um visitante da cidade que nunca se manifesta. A narrativa percorre o sertão de Minas Gerais, da Bahia e de Goiás no início do século XX, com suas veredas, os caminhos úmidos de gramíneas e buritis que cortam a paisagem.

Dois fios conduzem a história: a relação de Riobaldo com Diadorim, companheiro de bando cercado de mistério, e um pacto com o diabo tentado numa encruzilhada, cuja realidade o livro deixa em aberto. As fontes destacam os temas filosóficos da obra, como o bem e o mal, o livre-arbítrio e a natureza da existência.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

O diabo existe?

Riobaldo volta o tempo todo à mesma dúvida: o diabo existe? Se existe, o pacto tentado na encruzilhada pode ter valido, e parte do que ele fez teria outro autor. Se não existe, tudo o que fez é inteiramente seu. É a questão que Sartre levou ao limite ao dizer que estamos condenados a ser livres: sem uma força externa a quem culpar, não há desculpa possível. O narrador parece temer e, ao mesmo tempo, desejar as duas respostas.