Cosmos da Filosofia
Corredor comprido e vazio iluminado por uma única lâmpada nua que pisca, com sombras irregulares nas paredes descascadas e uma porta aberta ao fundo que só mostra escuridão

Edvard Munch · 1893

O Grito

Uma figura distorcida e desesperada sob um céu vermelho: a imagem mais conhecida da angústia moderna.

ExistênciaSofrimentoLiberdade

Sobre a obra

Obra do norueguês Edvard Munch, de 1893. A versão do Museu Nacional da Noruega, em Oslo, feita com têmpera e giz de cera sobre cartão, é considerada a primeira e está tão frágil que a sala é mantida com pouca luz. Munch fez outras versões, em pintura, pastel e litografia. Foi exposta pela primeira vez com o título alemão O Grito da Natureza.

Num caderno, Munch registrou a experiência que deu origem à imagem, em janeiro de 1892: caminhando ao pôr do sol, viu o céu ficar vermelho como sangue e sentiu um grito imenso atravessar a natureza. O lugar foi identificado como a colina de Ekeberg, sobre o fiorde de Oslo. Na época, sua irmã Laura, que tinha transtorno maníaco-depressivo, estava internada num asilo ao pé da colina.

O quadro fez parte da série que Munch chamou de Friso da Vida. A figura distorcida, que o museu descreve como universal e sem gênero, tornou-se símbolo da angústia e do medo, e a obra costuma ser lida como expressão da ansiedade do homem moderno. Versões foram roubadas em 1994 e 2004, e o pastel de 1895 foi leiloado em 2012 por quase 120 milhões de dólares.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Kierkegaard e a angústia sem objeto

Kierkegaard separou o medo da angústia. O medo tem um objeto definido: um cão, uma doença, um inimigo. A angústia não tem: é a vertigem de quem se vê diante das próprias possibilidades, sem nada em que se apoiar. No relato de Munch não há ameaça alguma, só um pôr do sol e um grito que parece vir de toda parte. O quadro não mostra do que a figura tem medo, porque não há o que mostrar. É a angústia no sentido de Kierkegaard: um abalo que atinge a existência inteira, e não uma parte dela.