Cosmos da Filosofia
Taça de vinho antiga e uma ampulheta meio vazia sobre uma mesa de pedra ao entardecer, pétalas secas espalhadas ao redor.

Omar Khayyam; tradução de Edward FitzGerald · séculos XI–XII; tradução de FitzGerald em 1859

Rubaiyat

Quadras persas atribuídas a um astrônomo, sobre saborear o instante em vez de temer o que vem depois.

FelicidadeTempoLiberdade

Sobre a obra

Omar Khayyam (1048–1131) foi um matemático, astrônomo e poeta persa, famoso em vida sobretudo pela ciência. A autoria das centenas de quadras (rubaiyat) atribuídas a ele é incerta: a primeira menção a seus poemas surge só 43 anos depois de sua morte, e estudiosos discutem quais quadras são realmente dele.

O rubai é uma forma poética persa de quatro versos, usada por muitos autores da época; por isso não há como datar com precisão a maior parte dos textos. O conjunto ficou conhecido no Ocidente sobretudo pela tradução livre do inglês Edward FitzGerald, publicada em 1859 com 75 quadras.

FitzGerald reconheceu que sua versão era pouco literal: misturou quadras diferentes e priorizou a leveza do inglês sobre a fidelidade ao persa, comparando sua escolha a preferir um pardal vivo a uma águia empalhada. Foi essa versão, mais do que o original persa, que tornou Omar Khayyam célebre no mundo inteiro.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Epicuro entre as taças

A leitura mais conhecida das quadras de FitzGerald aproxima Khayyam do epicurismo: já que a certeza sobre deuses e vida após a morte é impossível, resta aproveitar bem o tempo que se tem. O vinho, presente do início ao fim, funciona como símbolo desse prazer medido, não como convite ao excesso. É a mesma lógica de Epicuro, para quem o prazer verdadeiro é sóbrio e consciente da própria finitude, não a busca cega por sensação.