Cosmos da Filosofia
Correntes de ferro enferrujadas presas a uma face de rocha nua ao amanhecer, com uma brasa fraca em uma tigela de pedra ao lado, sem pessoas visíveis

Atribuída a Ésquilo · Século V a.C.

Prometeu Acorrentado

Um titã é acorrentado a uma montanha por ordem de Zeus, castigado por roubar o fogo dos deuses e entregá-lo aos humanos.

LiberdadeJustiçaSofrimento

Sobre a obra

Prometeu Acorrentado é uma tragédia grega tradicionalmente atribuída a Ésquilo, embora estudiosos modernos considerem essa autoria improvável e situem a peça entre o século V e o início do século IV a.C. A obra mostra o titã Prometeu sendo acorrentado a uma montanha por ordem de Zeus, como castigo por ter roubado o fogo dos deuses e dado aos seres humanos.

Ao longo da peça, Prometeu recebe a visita das Oceânidas, do deus Oceano e de Io, e recusa se curvar à autoridade de Zeus mesmo diante de ameaças cada vez piores, até ser lançado ao Tártaro. A obra retrata Zeus como um tirano recém-instalado no poder e Prometeu como um benfeitor da humanidade que paga um preço alto pelo próprio gesto.

A peça transformou Prometeu, até então uma figura ambígua e um tanto trapaceira nos poemas de Hesíodo, num rebelde íntegro contra a opressão. Essa leitura marcou autores do Romantismo, como Goethe, Byron e Percy Shelley, que viram nele um símbolo de resistência contra toda forma de tirania institucional.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores.

Nietzsche e a hybris apolínea

Em O Nascimento da Tragédia, Nietzsche aproxima Prometeu de Édipo: o titã é despedaçado por seu amor à humanidade, do mesmo modo que Édipo mergulha na desgraça por seu excesso de sabedoria. Para Nietzsche, o mito grego trata os dois castigos como a mesma advertência apolínea contra a hybris — o excesso que ultrapassa a medida humana permitida pelos deuses. Prometeu não erra por maldade, mas por dar demais aos mortais; ainda assim, a ordem antiga cobra o preço de seu gesto generoso.