Cosmos da Filosofia
Sala nua de concreto com uma pequena mesa de madeira, um caderno aberto em branco e uma caneta antiga, e uma câmera de vigilância no alto do canto, sob luz cinzenta e fria

George Orwell · 1949

1984

Num superestado vigiado pelo Grande Irmão, um funcionário encarregado de reescrever o passado começa a duvidar do Partido.

VerdadeLiberdadeConsciência

Sobre a obra

Romance de George Orwell, pseudônimo de Eric Blair, publicado em 8 de junho de 1949 pela editora Secker & Warburg, no Reino Unido. Orwell o escreveu na ilha escocesa de Jura, enquanto enfrentava uma tuberculose grave, e terminou o primeiro rascunho em novembro de 1947. O livro é classificado como distopia, ficção política e ficção científica social.

A história se passa em Airstrip One, província do superestado totalitário da Oceania, com Londres como cenário principal. O Partido governa sob a figura onipresente do Grande Irmão, com a Polícia do Pensamento e teletelas por toda parte. Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, reescrevendo registros históricos para que concordem com a versão oficial, sempre mutável.

O romance popularizou termos como duplipensar, novilíngua, crime de pensamento e Sala 101. No ensaio “Por que escrevo”, de 1946, Orwell afirmou que seus trabalhos sérios eram escritos, direta ou indiretamente, contra o totalitarismo e a favor do socialismo democrático. O livro é lido como um exame do totalitarismo, da vigilância em massa e da manipulação das consciências.

Onde está a filosofia

Leituras do Cosmos da Filosofia — aproximações com os filósofos, não a intenção declarada dos criadores. Contém spoilers.

Sombras fabricadas

No Ministério da Verdade, Winston altera jornais antigos para que o passado sempre concorde com o Partido. A alegoria da caverna, de Platão, ajuda a ler esse mundo: prisioneiros tomam por realidade as sombras que outros projetam na parede. Em 1984, as sombras são produzidas de propósito, por funcionários que sabem o que estão fazendo. Em Platão, quem se liberta pode subir e comparar as sombras com as coisas. O Partido trabalha justamente para que não reste nenhum registro com que comparar.